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Vittore Carpaccio

(Veneza, 1465 - idem, 1526)

Pintor italiano Não temos mais dados da sua trajectória biográfica que os derivados das datas e dos temas das suas pinturas. Em termos gerais, a sua obra apresenta-se como uma crónica precisa e sensível da vida veneziana do seu tempo, que mostra em todos os seus pormenores: arquitectura, história, vida quotidiana... Envolve todos estes aspectos numa atmosfera ligeira, aristocrática e indolente. Realiza diversas séries de pinturas por encomenda de confrarias venezianas. Nelas mostra um raro talento por dar às suas vastas composições, servindo-se da cor, uma unidade em que a decoração, interior ou exterior, ocupa um lugar preponderante. As suas primeiras obras formam a série de A Lenda de Santa Úrsula (1490-95). Posteriores são as Vidas de S. Jorge, S. Jerónimo, o retábulo de S. Tomás, A Representação no Templo.  

Como pintor da escola veneziana caracteriza-se pelo domínio da cor. Tem um destacado sentido da tonalidade, similar ao de Giovanni Bellini ou ao de Antonello de Messina, que lhe permite a passagem de uma cor para outra sem perturbações. O conjunto da sua obra é eminentemente narrativo, e é um mestre na criação de ambientes. O humanismo aristocrático da alta sociedade veneziana combina-se na obra de Carpaccio com a aprazível felicidade característica do mundo florentino. À margem do mundo renascentista do seu tempo, Carpaccio continua a ser, em certos aspectos, um pintor medieval; apreciando-se isto particularmente na precisão poética, no gosto pelo pitoresco e no jogo paradoxal que aplica às figuras, à decoração e ao espaço.