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VICTOR HUGO Besançon,
1802 - Paris, 1885 Escritor francês.
Neste escritor, figura máxima do romantismo francês, conjugam-se
felizmente uma imaginação rica e poderosa, um domínio perfeito do
idioma tanto em prosa como em verso e uma fecunda longevidade. Filho de um
militar napoleónico, interessa-se pela literatura desde muito jovem.
Entre os vinte e os vinte e quatro anos publica vários volumes de poesia
e aborda o género romanesco com Hans
da Islândia. No prefácio do drama
Cromwell (1827) expõe uma
teoria teatral resolutamente oposta à classicista. Na mesma época
instala-se em França a batalha romântica, que é ao mesmo tempo literária
e política, dado que os classicistas são liberais e os românticos
partidários da monarquia. Em 1830 estreia-se Hernâni,
drama anticlássico de ambiente espanhol que dá a vitória à facção
romântica e difunde os seus princípios de liberdade formal. Nos anos
seguintes Hugo insiste nesta linha teatral (O
Rei Diverte-se, Lucrécia Bórgia, Rui Blas). Ao mesmo tempo que o
teatro, cultiva paralelamente a poesia (Orientais,
As Folhas de Outono, Os Cânticos do Crepúsculo) e a narrativa. Neste
último campo sobressai sobretudo o romance histórico Nossa Senhora de Paris, no qual ressuscita com poderosa imaginação
a Paris do século xv; é a
obra que mais popularidade lhe dá. Em 1841 é eleito membro da Academia. Ao chegar ao poder
Napoleão III, em 1848, Victor Hugo exila-se e permanece fora de França
até à queda do Império, em 1870. Durante estes vinte e dois anos
escreve as suas obras-primas. Em 1859 publica a primeira série de A
Lenda dos Séculos, em que aborda a poesia épica. Trata-se de um
vasto fresco em que descreve toda a história da humanidade; é uma obra
titânica e deslumbrante, repleta de imensidade e de caos. Seguem-se três
obras importantes no campo do romance: Os
Miseráveis, narração de carácter social em que o misticismo, a
fantasia e a denúncia das injustiças formam uma trama complexa, Os
Trabalhadores do Mar, evocação da trágica luta do homem e do
oceano, e O Homem Que Ri,
situado na dimensão do horror. Em 1870, com sessenta
e oito anos, inicia um período sumamente produtivo que dura quinze anos.
Cabe destacar nele o romance Noventa
e Três e a segunda e terceira parte de A
Legenda dos Séculos. Após a sua morte, com oitenta e três anos,
publica-se toda uma série de obras póstumas. As grandiosas exéquias públicas
de Victor Hugo são uma homenagem das gentes do seu século, as quais
representa literariamente nas suas contradições, nas suas paixões, nos
seus defeitos e na sua grandeza. |