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S. Francisco
Xavier
Castelo
de Xavier, Navarra, Espanha, 1506 - Ilha de Sanchoão, frente a Cantão,
China, 1552
Missionário
jesuíta, apóstolo do Oriente, conhecido como o «Apóstolo das Índias».
Órfão de pai aos nove anos, vai para Paris dez anos depois (1525) para
seguir a carreira das Letras. Interno no Colégio de Santa Bárbara
(dirigido por Diogo de Gouveia, o Sénior,
e que este transforma no Colégio Português da Universidade de Paris),
frequenta o curso de Filosofia, graduando-se em bacharel (1526),
licenciado (1530) e depois mestre, fazendo, em simultâneo, Humanidades no
Colégio de Montaigu (1525-26). No Colégio de Santa Bárbara tem como
companheiro Inácio de Loiola, que o vem a conquistar para os seus
projectos. Com outros universitários, Le Fèvre, Salmerón, Afonso de
Bobadilha, Laínez e Rodriguez, reúnem-se em Montmartre, em 1534, fazendo
votos para irem à Terra Santa. Chega a Roma com Afonso de Bobadilha na
Primavera de 1538, depois de passar por Veneza, juntando-se a Inácio de
Loiola e outros, onde concretizam o projecto de Paris: a Companhia de
Jesus, aprovada pelo papa Paulo III em 3 de Setembro de 1539. Entretanto,
D. João III de Portugal pretende um grupo de jesuítas para pregar no
Reino e Francisco Xavier, a pedido do rei (para o que não é indiferente
o conselho de Diogo de Gouveia), é um dos que em 1540 já se encontra em
Lisboa. No ano seguinte é enviado para a Índia, credenciado pelo papa
Paulo III que o nomeia seu legado ou núncio apostólico, ficando
Rodriguez em Portugal para aqui estabelecer a Companhia de Jesus. Chega a
Goa em Maio de 1542, na companhia de Francisco Mansilhas e Paulo Camerte,
novos membros da Companhia, onde consegue, como primeiro objectivo, atrair
muitos portugueses para os bons caminhos da moral cristã (diz-se que Fernão
Mendes Pinto foi um deles, embora por pouco tempo). Foi de Goa que
escreveu uma carta ao rei a condenar os abusos dos Portugueses na exploração
dos nativos. Estende a sua pregação desde o cabo de Comerim ao golfo de
Manar, seguindo-se os pescadores de Travancor. Numa carta para Roma dizia:
«É tanta a multidão dos que se convertem à fé de Cristo nesta terra
onde ando, que muitas vezes me acontece ter cansados os braços de
baptizar, e não poder falar, de tantas vezes dizer o credo
e os mandamentos em sua língua deles, e as outras orações.» Ao fim de
um mês baptiza 10 000. Em 1546 está nas Molucas, Temate e ilha de Moro.
Regressa à Índia em 1547-48, depois de passar por Malaca, onde tem mais
missionários à sua espera para com ele colaborarem. Em 1549 a Companhia
de Jesus está estabelecida em Goa, Pescaria, Travancor, Molucas, Malaca,
S. Tomé-de-Meliapor, Coulão, Baçaim, Ormuz e dirige-se ao Japão. Ao
princípio a vida não lhe é fácil, a sua evidente pobreza e vida
simples contribui para que as portas se lhe fechem. Muda de aspecto,
mune-se de presentes e de cartas do governador da Índia e consegue que,
em 1551, o príncipe Outsi Yositaka de Yamaguchi o autorize a espalhar a fé
cristã. Em poucos meses instala as cristandades de Cangoxima, Firando,
Yamaguchi e Bungo, que deixa ao cuidado de outros companheiros e regressa
à Índia. Em Janeiro de 1552, conforme carta a Inácio de Loiola,
prepara-se para ir à China. Em Malaca, a caminho do novo destino, é mal
tratado pelo filho de Vasco da Gama, D. Álvaro de Ataíde, governador da
praça. Consegue chegar à ilha de Sanchão. Os portugueses amigos que ali
encontra estavam de partida mas não para a China, fica doente e ali acaba
por falecer em Dezembro desse ano de 1552. |