| Pedro Abelardo
(Le Pallet, Bretanha, 1079 - Châlons-sur-Saône, Borgonha, 1142) Filósofo e teólogo. A sua família destina-o à carreira militar, abandona-a e renuncia à sua herança e dedica-se ao estudo. Cultiva todas as ciências conhecidas na sua época e forma-se em filosofia escolástica na escola parisiense de Guilherme de Champeaux. Aos vinte e dois anos abre uma escola própria. Anos depois, no apogeu da sua fama, enamora-se da jovem Heloísa, sobrinha do cónego Fulbert e da qual é preceptor. Heloísa tem um filho e Abelardo casa-se com ela em segredo. Fulbert, indignado, envia uns sicários que o submetem à mais infame mutilação que um homem pode sofrer. Tanto ela como ele se retiram para grandes conventos. Ao fim de um tempo, a pedido dos seus discípulos, retoma o ensino. Sofre novas perseguições e algumas das suas doutrinas são condenadas pela Igreja nos concílios de Soissons e Sens. Nos seus últimos anos, retira-se para um convento junto ao Sena. Morre em Cluny. Goza de grande renome como dialéctico. Entre os seus princípios básicos conta-se o
de que a ciência deve preceder a fé. Na querela dos universais, característica da
época medieval, defende o conceptualismo. Combate ao mesmo tempo o nominalismo e o
realismo: sustenta que existem apenas indivíduos, nenhum dos quais é em si espécie nem
género, e que os géneros e as espécies são concepções, de onde provém o nome de
conceptualismo que foi atribuído ao seu sistema. A sua obra mais famosa, Sic e Non,
é uma conjunção de afirmações bíblicas e patrísticas de aparência contraditória,
que Abelardo concilia. Segundo o esquema traçado nesta obra, desenvolvem-se
sucessivamente as exposições escolásticas: afirmações pró e contra de uma tese.
Abelardo é também um precursor do humanismo, pela sua defesa da moral individualista.
Entre as suas obras principais, além da citada, figura Introdução à Teologia e Ética
ou Conhece-te a Ti Próprio. |