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NICOLAU NASONI

arquitecto: 1691-1773

Cristina Vaz

 

A Torre dos Clérigos - Porto

ITALIANO, MAS LEVANTA O "EX LIBRIS" DA CIDADE DO PORTO - A TORRE DOS CLÉRIGOS

QUANDO TUDO ACONTECEU...

 

 

1691: Nasce na Toscana. - 1715/20: Trabalha em Siena. - 1723: Parte para Malta. Executa a decoração do Palácio do Grão Mestre da Ordem de Malta -1725: Vai para o Porto. Trabalha nas pinturas da Sé. - 1729: Casa com Isabel Castriotto Riccardi. - 1730: Nasce o seu filho José. Morre a sua mulher Isabel. Casa com Antónia Mascarenhas Malafaia. - 1731: Faz o projecto da Igreja dos Clérigos. Nasce a filha Margarida. - 1732: Nasce o filho António. - 1734: Nasce o filho Jerónimo. Executa uma planta para o Paço Episcopal. - 1736: Nasce o filho Francisco. - 1737: Trabalha na Sé de Lamego. Nasce a filha Ana - 1739: Pinta a Igreja da Cumeeira - 1743: Frontispício da Igreja de Bom Jesus de Matosinhos. É admitido como irmão dos Clérigos. - 1745: Igreja de Santa Marinha, Vila Nova de Gaia. Retábulo da igreja de Santo Ildefonso. - 1748: É celebrada a 1ª missa na Igreja dos Clérigos. - 1749: Frontispício da Igreja da Misericórdia. - 1750: Palácio do Freixo. - 1754: Morre o deão Jerónimo de Távora. - 1758: Quinta da Prelada. - 1762: O filho Francisco é deportado para a Índia. - 1763: Conclusão da construção da Torre dos Clérigos. - 1773: Morre no Porto.

 

OS PADRINHOS

A Ilha de Malta onde Nasoni pintou os tectos e corredores do Palácio de Malta.

 

O Verão está próximo. Na Casa de Donanzati, em San Giovani Valdarno di Sopra há muito que fazer. Que o diga o feitor, Giusepe Francesco Nasoni. Ainda por cima, naquele 2 de Junho de 1691, a noite foi mal dormida. Mas valeu a pena o sacrifício. A sua mulher Margaretta deu-lhe o primeiro dos nove filhos que hão-de ter.

O padrinho já está escolhido, Messere Mário, dono da propriedade. Um bom padrinho é meio caminho andado para um futuro melhor. Giusepe não esquecerá este princípio quando chegar a vez dos outros filhos, e não se há-de achar mal.

O pequeno chama-se Niccolo, mas um dia verá o seu nome alterado, costumes de um outro país que adoptará como seu, será então Nicolau.

É ainda jovem que vai trabalhar numa oficina de Siena. Aprende pintura, decoração, arquitectura. Tem como mestres o pintor Nasini , o arquitecto Franchim e Vicenzo Ferrati.

Aos 21 anos é o responsável pelo catafalco para a Catedral de Siena, por ocasião das cerimónias fúnebres de Fernando de Médicis. O trabalho parece ter sido apreciado, ou não nos tivesse chegado a notícia da sua execução.

Nasoni, para melhor se inserir no meio, integra-se numa academia de artistas - o Istituto dei Rozzi. Os colegas dão-lhe como alcunha "Il Piangollegio" , o motivo não se sabe ao certo, talvez seja um homem um pouco triste.

Em 1715 é nomeado o novo arcebispo de Siena. Figura importante, ainda para mais sobrinho do Papa Alexandre VII. Os preparativos são grandes. Deverá ser recebido com pompa - o Istituto dei Rozzi escolhe Nasoni para fazer os trabalhos.

Uns anos mais tarde, por ocasião da eleição do novo grão-mestre da Ordem de Malta, Nasoni trabalha no Carro de Marte que desfila no Cortejo.

Sempre que participa nesta celebrações, as obras de Nasoni causam sucesso, quer pela riqueza das decorações, quer pela técnica da construção. Uma arte efémera mas que não passa despercebida a muitos. Entre eles, o Conde Francisco Picolomini que decide relatá-la a D. António Manuel Vilhena - o homem que passados dois anos será grão-mestre da Ordem de Malta.

A influência das Ordens religiosas faz-se ainda notar. O poder que tinham conhecido na idade Média não desaparecera, apenas se transformara.

A Ordem de Malta, que tivera origem nas cruzadas, tem ainda uma organização que abrange um vasto território, dividido em várias zonas - as nações, representando cada uma determinada região. O seu centro situa-se na Ilha de Malta.

Em 1723, é grão-mestre da ordem D. António Manuel Vilhena, que conhecia já o trabalho de Nasoni. Decide então convidar o artista para lhe entregar as obras de pintura de tectos e corredores do Palácio de Malta.

Nasoni tem fama na pintura decorativa. Utilizando a têmpera e a tela, domina uma técnica que cria através da perspectiva a ilusão das formas e do espaço - pintura ilusionista - fazendo surgir nos corredores e tectos jarrões, flores, panos e colunas.

O trabalho é apreciado, e o tempo que permanece em Malta serve também para contactar com diversos fidalgos, entre eles um português - Roque Távora e Noronha.

 

OS AMIGOS

 

 

Nasoni chega a Portugal. Entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo? Consulta a Tábua Cronológica.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Abóboda Central da Sé - Lamego (foto de Foto Labfoto, Lamego)

 

D. João V reina em Portugal. Lá de longe vem o ouro. A produção do Brasil é grande, em 1725 chega a atingir 25 toneladas. E onde gastar não falta. Em Mafra, desde 1717 que se faz a construção do convento. É cumprimento da promessa de um Rei que traz para Portugal muitos artistas estrangeiros.

As notícias correm depressa. Em Portugal há trabalho e pagamento, muitos são os interessados em vir.

O Porto é também uma cidade que se quer desenvolver. Não pode ficar atrás de Lisboa. Bairrismos que nunca se apagam; se em Lisboa se fazem grandes obras é preciso mostrar que também o Porto é capaz de as fazer. Aliás é no Norte que estão muitos entalhadores e pedreiros. Bons artistas para trabalharem dentro do género que está agora moda - decoração nas fachadas e talha nos interiores - o barroco.

No Porto o poder está nas mãos de algumas famílias. E as grandes famílias estão essencialmente ligadas à Igreja, quer através do clero, quer através das Irmandades religiosas. Negócios...

Em 1717, D. Tomás de Almeida foi nomeado Arcebispo partindo para Lisboa. A Sé ficou vacante e o seu destino entregue a um homem que não o deixa por mãos alheias, embora não tenha sido nomeado para o cargo - o deão Jerónimo de Távora e Noronha, por sinal irmão de Roque de Távora, o que esteve em Malta.

D. Jerónimo decide fazer obras na Sé, são precisas, e para que não fique atrás hão-de vir artistas de Itália, o irmão lhos indicará.

Em 1725 Nasoni chega ao Porto. Quanto a quem o mandou vir não há dúvidas. E se algum dia as houver que fiquem esclarecidas ao lerem o que ele escreverá com o seu punho quando acabar as pinturas na Sé:

" NICCOLO NASONI FIORENTINO NATURALE DELLA TERRA DI S. GIOVANI VAL DARNO D. SOPRA DIE A DI PINGERE IN QUESTA SE IL 9RE DE 1725 E ORA 1731 E VENE PER MEZZO VENE DEL S.R. DECANO GIROLAMO TAVORA E NOROGNA"

Nunca mais deixará de estar ligado a este homem e à sua família.

As obras na Sé demoram ainda algum tempo, o suficiente para que Nasoni arranje noiva. Em 1729 casa com Isabel Castriotto Ricardi, florentina que, de dote, lhe traz quatrocentos mil reis. O casamento será breve. No ano seguinte nasce o primeiro filho - José. Muito depressa ficará órfão, surgem complicações com o parto. D. Isabel não resiste, e no dia 25 de Junho de 1730 morre.

Nasoni não estará muito tempo sem companhia, pois é preciso quem ajude a cuidar do bebé. O deão Jerónimo de Távora cuidará do assunto. Sua mãe - D. Micaela, tem por companhia, há já algum tempo, Antónia Mascarenhas Malafaia, uma rapariga de 24 anos que veio de Santo Tirso. Não é pessoa de grandes conhecimentos, não sabe ler nem escrever. Mas também para que serve isso numa mulher? O casamento arranja-se e a viuvez de Nasoni dura apenas 3 meses. D. Jerónimo será o padrinho, e os noivos irão viver ali bem perto da Sé, numa casa de Vandoma. Apoios de D. Micaela que também ajudou à união. Não se esquecerão dela quando baptizarem os filhos. Quanto a trabalho, não mais lhe há-de faltar, também dessa parte se encarregará o deão.

É uma nova fase que começa. Nasoni não tinha estudado só pintura, mas também arquitectura. A experiência não tinha sido muita, porém foi arte que sempre o interessou. Ainda para mais quando está agora numa terra em que a pedra não falta. E tantas possibilidades que ela tem... Enquanto trabalhava na Sé pôde observar o que se fazia, e pensar no que gostaria de fazer.

Em 1731 conclui as pinturas da Sé. Mais tarde haverá de fazer a Galilé. É o gosto pela arquitectura.

 

OS IRMÃOS

 

No Porto existiam várias irmandades. Cada uma tinha as suas funções e os seus santos. No entanto, alguma delas não possuíam os meios económicos suficientes para manterem a sua actividade, as instalações e as suas igrejas. Entre elas estavam a Confraria dos Clérigos de S. Pedro, dos Clérigos Pobres de N. Sr.ª da Misericórdia e a Irmandade dos Clérigos; estas três decidem fundir-se naquela que passou a chamar-se Irmandade de Clérigos Pobres de N.ª Sr.ª da Misericórdia, S. Pedro e S. Filipe Nery. Torna-se necessário a construção de uma sede onde possam realizar a sua actividade e praticar o culto.

Depois de diversas diligências acabam por conseguir que lhe seja dado um terreno ali junto do cemitério onde eram enterrados os enforcados, e que ficava já fora de portas.

Nasoni estava agora liberto das pinturas da Sé. O projecto da construção da Igreja e edifício dos Clérigos é-lhe entregue, ou nesse ano não fosse D. Jerónimo o Presidente da Irmandade...

Os trabalhos não podem ser rápidos, que a experiência do arquitecto não é grande. O edifício terá a capela, hospital, e as salas necessárias para um bom desempenho da irmandade.

Em 1732 as obras da Igreja começam. Surgem algumas dificuldades. A irmandade reúne-se com o arquitecto. Parece que durante a construção aparecem rupturas. Melhor será pôr duas torres que ajudem a segurar as paredes. Outros dizem que não. Aliás já começa a faltar dinheiro, ainda a obra vai a meio. Ouça-se o arquitecto. As alterações necessárias são feitas, e sem as duas torres. Em 1748 pode-se já celebrar a primeira missa, mas para o fim das obras ainda falta algum tempo.

A Irmandade reconhece o tempo e o trabalho que Nasoni gasta. Decide admiti-lo como irmão. De segunda condição diga-se, porque de primeira são os nobres, e sempre lhe dão o privilégio de nada ter de pagar.

 

OS PROTECTORES

Fonte no Monte de Santo Estêvão (Santuário dos Remédios) - Lamego - foto de Foto Labfoto, Lamego

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Casa de Mateus (foto de Foto Marius, Vila Real)

 

 

 

Os contactos entre os membros da Igreja são a melhor publicidade para os trabalhos de Nasoni.

A Sé de Lamego está também vacante. São sempre boas alturas para fazer restauros. Nasoni é chamado para colaborar. Pinta os tectos da nave central.

As capacidades que demonstrara em Malta estão agora ainda mais desenvolvidas. Domina a pintura de tal forma que através de colunas, jarrões, florões, panos, cria espaços onde eles não existem. No tecto da Sé de Lamego faz surgir pela primeira vez a abóbada - a pintura ilusionista tem agora um mestre.

A estadia em Lamego proporciona-lhe também a encomenda da construção de uma fonte para ser colocada no Monte de Santo Estevão, local onde em breve será construído o Santuário de Nossa Senhora dos Remédios.

A fonte dá despesas a mais. A Irmandade decide registar os motivos, não viesse alguém um dia perguntar para onde foi tanto dinheiro:

"...pelos assentamentos que foram precisos da mesma planta, pela ter errado o chamado Nasoni, que anda a fazer as pinturas do tecto da Sé e tinha feito o risco..."

Não será a única vez que Nasoni erra nos cálculos, são coisas que acontecem a quem não tem grande formação em arquitectura...

Os elementos decorativos que nela aparecem surgirão depois em muitas obras do arquitecto, são talvez ensaios de quem tem outros projectos. E agora bem precisa que eles venham, pois nestes últimos anos D. Antónia cinco vezes deu à luz - duas raparigas e três rapazes. Tudo correu bem, está tudo vivo e de saúde.

Aproveitando a estadia de Nasoni no Norte, outros trabalhos lhe são encomendados. Trabalha nas pinturas da Igreja de Santa Eulália, na Cumeeira, que pertence ao morgado de Mateus.

Também a Casa de Mateus estava há já algum tempo em obras. O proprietário, D. António José Botelho Mourão tinha decidido construir uma casa maior demolindo a anterior. Será um dos maiores palácios daquela zona do país. Dos registos das obras não consta o nome de Nasoni, mas todos dizem que recebe doze mil reis pelo que lá fez. E mesmo que haja dúvidas que ali andou a sua mão, basta ver a planta e a fachada do bloco central, que logo ficarão esclarecidas. Só pelas janelas e pela escada dupla já se vêm características que hão-de aparecer noutras obras. Foram ensaios, dirão alguns.

 

OS CLIENTES

Igreja  do Bom Jesus de Matosinhos

 

 

Nasoni tem agora uma vida desafogada é considerado por alguns como um homem de negócios. O dinheiro que vai recebendo pelo seu trabalho torna-o um homem abastado e, para o ajudar, tem sempre D. Jerónimo. Quem melhor poderia ter a sua confiança? Nomeia-o seu procurador e com poderes para tudo. Bem precisa de quem o auxilie nestas coisas de dinheiros. Ainda para mais agora que já empresta dinheiro a juros. Às vezes quantias bem grandes, como daquela em que foram oitocentos mil reis! E para as cobrar lá está D. Jerónimo, ou não tenha ele poderes para isso...

Mas Nasoni não é homem de viver de rendimentos. O trabalho absorve-o. Não tem mãos a medir, e parece gostar do que faz, desde que não interfiram muito.

Pedem-lhe opinião sobre a Igreja da Misericórdia que apresenta perigo de ruir. As obras hão-de ficar a seu cargo, mas mais tarde que agora tem outras tarefas.

Em 1743 faz o desenho para o Retábulo da Igreja de Santo Ildefonso. Ao mesmo tempo trabalha na fachada da Igreja do Bom Jesus de Matosinhos, onde faz surgir uma inovação na arquitectura religiosa que não voltará a repetir - uma composição horizontal.

As plantas de Nasoni não são fáceis para muitos, mas o resultado final vale a pena, que o diga quem não lhe poupa palavras, como o seu protector:

"Se v. m.cê lhe contentar o risco qoando o derem a fazer lhe devem por a condiçam que será a obra aprovada por elle e qoando haião dipois de acrescentar lhe algua coiza, a deve elle também riscar porq por mais eminente que seja o q acrescantar nunca pode ficar bem sendo de duas mãos,... ... De ordin.ro ouço queixar a este homem que os Mestres lhe faltão preceitos da obra ...... Os mestres he que fogem das suas plantas porque como os tira do sapateado, não querem coisas q lhe dem cuidado"

Aliás, o próprio deão lhe encomenda uma obra. A construção de um palácio de Verão, na sua Quinta do Freixo, ali mesmo junto ao Rio Douro.

A planta do Palácio é quadrangular, com uma torreão em cada ângulo, que terminam em pirâmide. Nasoni, aproveitando o declive do terreno em direcção ao rio, faz nas fachadas um desenho diferente em três níveis.

Do lado do rio são feitos jardins à moda italiana, com estátuas e balaustradas. Em 1750 ficará concluído, mas a família não o irá gozar por muito tempo. A perseguição que o Marquês de Pombal fará aos Távoras obrigará a mudá-lo de mãos. Depois será a decadência desde a construção de uma fábrica de sabão nos jardins, até ao incêndio que lhe destruiu os seus interiores.

Nasoni dedica-se agora à construção de diversas casas na zona do Porto e arredores - Bonjoia, Ramalde, Prelada, Chantre - contactos que lhe continuam a vir por intermédio de D. Jerónimo.

O seu estilo sofre algumas alterações que acompanham as evoluções da arquitectura. Na decoração das fachadas vêm-se as influências do rocócó, como bem o demonstra a Igreja da Misericórdia, cujas obras de restauro ficam a seu cargo.

 

OS QUE FICAM

Igreja dos Clérigos - Porto

 

Em 1754 inicia-se a construção da Torre da Igreja dos Clérigos. D. Jerónimo já não irá ver a obra, morre nesse ano. Nasoni perde não só um protector mas também um amigo. Tristeza.

Escolhe agora o seu filho José para procurador, é preciso alguém que lhe cuide dos negócios. Entretanto vai continuando a trabalhar.

A Torre da Igreja dos Clérigos está prestes a ser concluída. Não há outra tão alta no Reino. Valeram a pena os nove anos que demorou a construção, também de outra forma não poderia ser ou não fosse ela um verdadeiro exemplo do barroco. A cidade irá um dia adoptá-la como símbolo. Para Nasoni terá talvez sido o seu último momento de alegria.

No ano seguinte, o filho Francisco, que durante alguns anos desempenhara funções de escrivão de almotaçaria, é deportado para Índia. Do que fez, nada se sabe. Por respeito ao pai, talvez.

Para Nasoni são agora tempos de repouso. A idade já pesa e para além do mais os gostos são outros.

A reconstrução de Lisboa depois do terramoto de 1755 trouxe ao reino as novas influências. Formas mais simples e decoração sóbria - é o neoclássico que surge. E o Porto não quer ficar atrás. Que venham agora os arquitectos ingleses. Outras vidas.

Nasoni está viúvo. Vive numa pequena casa com a sua filha solteira - Margarida, numa viela, já fora de muros. O dinheiro não é muito, depois do que perdeu nos negócios do Brasil.

Discretamente, no dia 30 de Agosto de 1773, Nasoni adormece. A Irmandade dos Clérigos Pobres, que anos antes o tinha admitido como membro, encarregar-se-á de lhe dar sepultura, como é usual fazer aos outros irmãos:

"... faleceu da Vida pres.te com todos os Sacram.tos o N. Irmão D.Nicolão Nasoni morador na Viella do Paj Ambrosio Freg.ª de Stº Ildefº e foi sepultado nesta igreja sendo asestido p.la Irmandade como pobre e se lhe fiserão os tres oficios como também o da sepultura"

Nasoni é sepultado na Igreja dos Clérigos. O local, ao certo, não se sabe. O único retrato que terá existido na irmandade desaparece. Durante muitos anos o seu nome é quase esquecido. Discreto na vida e na morte. A imponência está no que ficou.

 

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