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Nicolas Boileau-Despréaux

Paris, 1636 - idem, 1711

 

Preceptor e literato francês. Embora poeta satírico, historiador e polemista religioso, Nicolas Boileau passa à história das Letras como tratadista e preceptor. Após estudar Teologia e Direito e exercer a advocacia, a partir de 1657 dedica-se por completo à literatura. Em 1660 começa a publicar as suas obras que provocam reacções iradas nos meios literários. Em 1676, o rei Luís XIV nomeia-o cronista real juntamente com Racine e, em 1684, ingressa na Academia Francesa. Participa na querela entre os Antigos e os Modernos a favor dos primeiros. As suas Sátiras, doze no total e escritas em verso (1666-1711), criam-lhe numerosos inimigos. Os seus temas são pinturas da vida parisiense, reflexões morais inspiradas em Horácio e Juvenal e crítica literária. As Epístolas, que versam sobre os mesmos temas, caracterizam-se por uma maior agilidade formal. Como poeta e versificador explora todas as possibilidades rítmicas do verso clássico.

A sua Arte Poética, composta em verso, apresenta com certa rigidez os traços principais do classicismo: 1) a literatura deve imitar a natureza, e o seu ideal é a verdade; 2) para isso, o poeta deve guiar-se pela imitação dos clássicos, pela razão e pelo gosto; 3) só os temas verdadeiros ou verosímeis se ajustam à razão, e 4) o teatro há-de respeitar as três unidades: a de acção (a principal exclui as secundárias), a do tempo (a trama desenvolve-se num dia) e a de lugar (a acção verifica-se num único sítio).