| Marquesa de Alorna
(Lisboa, 1750 - idem, 1839) Escritora portuguesa. Leonor de Almeida Lorena e Lencastre, 4.ª
marquesa de Alorna, é uma das mais notáveis vozes do pré-romantismo em Portugal. Neta,
por parte da mãe, dos marqueses de Távora, executados pela justiça do marquês de
Pombal devido ao seu envolvimento numa conspiração contra o rei D. José I, é, em 1758,
enclausurada no Convento de Chelas, de onde é libertada dezanove anos depois, em 1777,
após a queda política do marquês. No entanto, a sua prolongada reclusão é o principal
motivo para a esmerada formação literária e científica que recebe. Leituras de
Rousseau, Voltaire, da Enciclopédia de Diderot e d'Alembert, abrem o seu espírito
vivo e inquieto às ideias do iluminismo francês. Casa com o conde de Ovenhausen, oficial
alemão que viaja pela Europa, do qual fica viúva aos 43 anos. Apesar das dificuldades
económicas que a viuvez lhe acarreta, a sua residência transforma-se num foco de
ebulição cultural, onde se debatem as novas ideias políticas e também as novas
correntes estéticas e literárias. Bocage e Alexandre Herculano, em períodos diferentes,
são dois dos frequentadores do seu salão. Sob o nome árcade de Alcipe trabalha
em traduções do latim (a Arte Poética, de Horácio, por exemplo), do alemão
(textos de Christoph Wieland), do inglês (o Ensaio sobre a Crítica, de Alexander
Pope) e do francês (textos de Lamartine), cultiva a epistolografia (Cartas a Uma Filha
Que Vai Casar) e escreve poesia. Recreações Botânicas, poema em seis cantos
dedicado às «Senhoras Portuguesas», prenuncia já o sentimentalismo romântico que
avassalará a literatura anos mais tarde. A sua poesia está reunida nos seis volumes das Obras
Poéticas da Marquesa de Alorna (1844). |