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MANUEL DA FONSECA
Escritor: 1911 – 1993
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QUANDO TUDO ACONTECEU...
1911.
A 15 de Outubro, em Santiago do Cacém, nasce Manuel Lopes Fonseca, filho de
Carlos Augusto da Fonseca e de Maria Silvina Lopes da Fonseca.
1920. Morte do irmão Zezinho,
quase três anos mais novo. 1923.
Cerca deste ano, vai viver com a família para Lisboa.
1925. Publica os seus primeiros
versos e narrativas num semanário de Santiago, o
Periquito.
1926. Em Lisboa frequenta o
Liceu Camões, onde tem um colega dois anos mais novo chamado Álvaro Cunhal.
1937. Casa com Mabilde Cândido
Matias. Poema Santas de Sofrer
publicado nos Cadernos da Juventude, de Coimbra.
1940. Publicação de
Rosa dos Ventos,
primeiro livro de Manuel da Fonseca.
1941. No Novo Cancioneiro, é incluído
Planície, outro livro de poemas.
1942. É publicado o livro de
contos Aldeia Nova.
1943.
Sai a primeira edição de Cerromaior.
1945. Adere ao MUD – Movimento
de Unidade Democrática. 1947.
Integra a Comissão Distrital do MUD de Lisboa.
1949. Apoia a candidatura de
Norton de Matos à Presidência da República.
1951. Publicação de
O Fogo e as Cinzas, livro de
contos. Manuel da Fonseca integra o Comité Nacional da Defesa da Paz.
1958. Apoio à candidatura de
Arlindo Vicente a Presidente da República. Depois apoio a Humberto Delgado.
Saem Os Poemas Completos.
1959.
Publicação de Seara do Vento.
Jantar de homenagem na Casa do Alentejo, presidido pela sua mãe, que reúne
centenas de pessoas. 1961.
Integra a comissão de apoio à oposição democrática, que neste ano vai
disputar as eleições para deputados.
1965. A Sociedade Portuguesa de Escritores atribui o Prémio de
Novelística a Luandino Vieira. Manuel da Fonseca faz parte do júri. A 22 de
Maio é preso pela PIDE, acusado de actividades contra a segurança do Estado.
É detido em Caxias e submetido a vários interrogatórios. Adere à comissão de
apoio à oposição democrática, que se propõe disputar em
Novembro as eleições para deputados.
1968. Livro de contos
Um Anjo no Trapézio.
1972. Casa com Arlete Mendes de
Brito Ventura. 1969. Adesão à
CDE - Comissão Democrática Eleitoral durante a campanha para eleição de
deputados. 1973. Livro de contos
Tempo de Solidão.
1983. É condecorado com o grau
de Comendador da Ordem
de Sant’Iago da Espada.
1984. Publica uma antologia de
Fialho de Almeida. 1985. Casa
com Hermínia de Jesus Matos. 1993.
A 11 de Março falece no Hospital de S. José em Lisboa, para onde fora
transportado de urgência, após dar uma queda na sua residência em Santiago
do Cacém.
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![]() Manuel da Fonseca (Foto cedida por Artur da Fonseca) ![]() O irmão - O primeiro camarada que ficou no caminho. (Foto cedida por Artur da Fonseca) ![]() Famílias Lopes e Fonsecas (Foto cedida por Artur da Fonseca) ![]() A primeira carreira de Santiago do Cacém (Foto cedida por Artur da Fonseca) |
MANUEL DA FONSECA E AS SUAS ORIGENSPara se compreender a obra de um escritor é necessário conhecer a sua vida, desde a infância. É fundamental procurar compreender as influências que tem, na vida pessoal, social, e no campo literário. Entender porque se dedicou ao acto solitário e duro de escrever.
A
infância de Manuel da Fonseca é claramente decisiva para a sua vida e
para a sua opção de ser escritor. Embora deixe Santiago do Cacém ainda
bastante novo, quando os pais se fixam em Lisboa, o facto é que acaba
sempre a voltar à sua terra de origem. A sua infância é marcada
terrivelmente pela morte do irmão Zezinho, mais novo quase três anos,
com bexigas doidas, o nome dado à varíola. O conto
O Primeiro Camarada que ficou no
Caminho, incluído em Aldeia
Nova, inspira-se nesta tragédia.
A
vinda para Lisboa dá-se quando Manuel acaba a escola primária, ainda em
Santiago. Estamos cerca do ano de 1923. Os pais vão viver para Lisboa,
montam uma fábrica ao Arco Cego, e depois mudam-se para a Almirante
Barroso, onde abrem a firma Fonseca & Fonseca L.da. Manuel fica ainda
algum tempo a viver na terra, com o avô. Quando vai para o pé dos pais,
é para morar na Estefânia. Um dos estabelecimentos de ensino que
frequenta é precisamente o Liceu Camões, mesmo ali ao pé de casa. Mas as
férias são sempre passadas em Santiago. Nasce o irmão Artur, treze anos
mais novo, também em Santiago, porque a família faz questão que assim
seja, embora esteja fixada em Lisboa.
Desde novo que escreve poemas e narrativas, que são publicados pela
primeira vez num jornal de Santiago,
O Periquito. A família
interessa-se muito por esta vocação. Carlos Augusto, o pai, oriundo de
Castro Verde, filho de camponeses, é ferreiro de profissão, e tem uma
acentuada vocação para as artes. Grande conversador, aprecia contar uma
boa história, gosto que Manuel vai herdar, e cultivar com grande
sucesso. O pai de Carlos Augusto veio viver para Santiago, por causa dos
conflitos sociais e políticos na terra de origem. É um óptimo
profissional, com espírito empreendedor, tem muito jeito para o desenho
e faz magníficas ilustrações e retratos, incluindo de pessoas da sua
família, e da família da mulher, que são dignos de nota. Maria Silvina e ele
encorajam o filho a ler e a escrever, com sucesso comprovado.
A
mãe é descendente de miguelistas, que se fixam no Cercal depois do fim
da guerra civil entre liberais e absolutistas. Um bisavô de Manuel
estabelece ali uma farmácia. Um avô veio fixar-se em Santiago. Conta
Manuel da Fonseca, num prefácio à edição de
Aldeia Nova que a Caminho
publicou em 1984, que, já ele é nascido, está este avô a passar férias,
um Verão, em Sines, os seus inimigos políticos incendeiam-lhe a casa
onde reside.
Assim, Manuel da Fonseca desde pequeno que ouve o pai falar da sua
família e da família da mãe, contando as respectivas histórias e outras.
Desde pequeno que se familiariza com o ambiente social que o rodeia, com
a agitação da vida política e com a vida em geral. No prefácio à edição
de 1984 de Aldeia Nova conta
que em ambas as famílias sobressaem
“indivíduos arrebatados, plenos
de desamor à vida. Que eram os que mais profundamente amavam a vida, no
contar de meu pai”. E acrescenta que definiam exemplarmente os dois
ramos as casas e os livros que por lá haviam. Numa
Livros de Horas,
Os Lusíadas, o
Frei Luís de Sousa,
O Amor de Perdição e
similares. Noutra livros de feição educativa e política e história das
civilizações: Karl Marx, Victor Hugo, Nordeau, Zola, Herculano, Júlio
Verne, Oliveira Martins, Eça de Queirós.
A
presença de Maria Silvina também é constante na vida de Manuel da Fonseca. Não
é com certeza por acaso que é ela quem preside ao jantar de homenagem
que lhe ofereceram na Casa do Alentejo, promovido por amigos e vizinhos
da Parede, em 1959, logo a seguir à publicação da Seara de Vento, no
meio de tantas figuras ilustres da vida cultural e da política, que
quiseram aderir. O pai falece em 1955.
Entretanto, Manuel é um praticante entusiasta de desporto. Chega a jogar
futebol nos iniciados do Sporting. Também pratica esgrima, ténis,
equitação e automobilismo, participando no 4º Rali do Estoril. No boxe,
para que parece bastante dotado, chega a vencer um campeonato nacional
de médios. Parece que os pais não apreciam muito esta faceta. Entretanto
granjeia numerosos amigos, alguns deles para toda a vida. O convívio com
eles será uma das marcas da sua existência.
O
Manuel chega a frequentar a Escola de Belas Artes. Mas entretanto começa
a trabalhar. Tem vários empregos, numa drogaria e na indústria
farmacêutica, na Bayer, onde faz a revisão das bulas dos medicamentos.
Vende artigos para escritórios, como pracista. Começa a trabalhar em
publicidade, na Fábrica de Máquinas de Costura Oliva, na Marinha Grande,
e em diversas agências, incluindo
uma porque passam também Fernando Pessoa e Ary dos Santos. Começa
a colaborar regularmente em jornais e revistas, o que fará ao longo de
toda a sua vida. Dos arquivos da PIDE/DGS (evidentemente tendenciosos,
mas inegavelmente completos), cerca dos anos sessenta,
constam informações de que tem a profissão de escritor e que vive
exclusivamente dos rendimentos do seu trabalho.
Casa
pela primeira vez em 1937. Nasce o seu único filho. Este terá problemas
de saúde, que inclusive Manuel refere no prefácio à edição de Cerromaior
de 1981.
Mário Dionísio, no prefácio à edição dos
Poemas Completos de 1969, diz
não se lembrar de quem terá levado Manuel da Fonseca, em 1937 (ou 1938?)
a juntar-se ao grupo que se reunia nos cafés da Baixa, movido por “um
coração pulsando por todos os
“humilhados e ofendidos” (líamos muito Dostoievski, apesar do que terá
parecido), uma obstinada recusa a ser feliz num mundo agressivamente
infeliz, uma ânsia de dádiva total e o grande sonho de criar uma
literatura nova, radicada na convicção de que, na luta imensa pela
libertação do homem, ela teria um papel inestimável a desempenhar contra
o egoísmo, os interesses mesquinhos, a conivência, a indiferença perante
o crime, a glorificação de um mundo podre”.
Assim se talhou a carreira do Manuel da Fonseca escritor. Que ele o foi
toda a vida. E toda a vida foi um militante da causa do povo, intervindo
politicamente sem esmorecer, e com sacrifício pessoal assinalável.
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![]() ![]() Garcia Lorca terá influenciado Manuel da Fonseca. Entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo? Consulta a TÁBUA CRONOLÓGICA ![]() Manuel da Fonseca no café (Foto cedida pelo Museu do Neo-Realismo) ![]() Manuel da Fonseca, Fernando Assis Pacheco e Augusto Abelaira (Foto cedida pelo Museu do Neo-Realismo) |
O desenvolver da obra
Artur, o
irmão mais novo, guarda consigo este poema da juventude de Manuel :
Sim… Ou
talvez não
Que sim
que não
que
falássemos os dois
e depois
se veria
que
palavra diria
o
coração
Concordei.
E noite
morta
à hora
dos namorados
passei
pela sua
porta
e falei
com os
dizeres costumados:
que sou
assim,
ou
melhor: que não sei bem como sou…
e etc. e
tal.
Ela
olhava para mim
E eu
falei até que a noite acabou.
Afinal
nem sim
nem não…
… Inda
hoje estou para saber
Que dirá
um coração
De
mulher!
Este
ingénuo poema, um tanto divertido, que se julga ser, até à data, conhecido
apenas pela família de Manuel e seus próximos, mesmo um observador
desprevenido vê claramente que o seu autor é um jovem principiante na arte,
que sofreu algum desgosto de amor. Tem ritmo, humor, musicalidade, mostra
que o autor promete, pode-se afirmar sem sombra de exagero. É difícil apurar
a idade exacta com que Manuel o escreveu, mas foi com certeza na
adolescência. De Sim… Ou talvez não
a Santas de Sofrer, poema de 1937
dedicado ao drama das mulheres da vida, talvez não tenham passado mais de
dez anos, mas quantos mundos terão sido percorridos por Manuel? E, mais
alguns anos depois, chega ao conto
Maria Altinha, incluído em Aldeia
Nova, o qual poucos anos depois da sua publicação, é traduzido em inglês
e alemão, é verdade que sem sequer ter sido obtido o consentimento prévio do
autor. A tradução para alemão é feita por Ilse Losa.
Manuel
da Fonseca, em Cerromaior,
através do personagem Adriano, transmite a sua visão dos acontecimentos, da
luta de classes no Alentejo. Não é um participante directo nos
acontecimentos, até pelas suas origens. Mas procura transmitir-nos o que se
passa, e vai-se envolvendo gradualmente e fazendo opções. Mário Sacramento,
em Há Uma Estética Neo-Realista?,
quando usa o título do poema de Políbio Gomes dos Santos,
Voz que Escuta, para sintetizar a
posição da poesia neo-realista, pergunta e responde:
“E que podia a voz que escuta? Manuel
da Fonseca o diz, como aliás a quase tudo o que ao neo-realismo importa,
pois a sua obra, se é a mais pequena de todas, é também a maior.” E cita
a segunda parte do poema Florbela (a Florbela Espanca, 1894-1930), fazendo
notar que o autor, ao escrevê-lo faz uma transferência da sua experiência
para a da poetisa:
Florbela
não foi à monda
nem às
searas ceifar.
Nasceu
senhora da vila:
- nunca
as suas mãos esguias
colheram
as azeitonas
nos
galhos das oliveiras.
Mas ela
sabia tudo
que há
no coração da gente:
ouviu a
gente cantar.
Desde
menina cresceu
ouvindo
a gente cantar
em
ranchos, pelos montados,
quando a
noite vai subindo!...
Outro
aspecto importante para entender a obra de um escritor é conhecer as
influências que teve, no campo literário. Neste aspecto tem de se destacar
em primeiro lugar Garcia Lorca (1898 – 1936), que exerce influência marcante
sobre toda a poesia portuguesa dos anos 40 (e não só, também no teatro,
veja-se o caso de Bernardo Santareno). Manuel Simões, em
Garcia Lorca e Manuel da Fonseca,
Dois Poetas em Confronto analisa detalhadamente como Lorca influenciou
Manuel da Fonseca (ver pág. 36 e seguintes) e outros poetas neo-realistas. E
refere o seguimento dado: “Anote-se,
no entanto, que o que em Lorca fora descoberta estética, adesão sentimental,
ardente simpatia, é agora (com o neo-realismo) a expressão da consciente
aspiração dos povos à sua emancipação. Neste aspecto, há a salientar Manuel
da Fonseca, que assimila e transfigura a poesia lorquiana …”.
Mais adiante Manuel Simões assinala a importância do poeta popular
José da Graça Cabrita e do cantador José da Graça, do qual Manuel integrou
algumas composições em Cerromaior
(pág.124).
Mário
Dionísio aponta o parentesco do poema dramático
A Casa do Vento com
À Espera de Godot, de Beckett
(1953), igualmente no prefácio acima citado aos
Poemas Completos. Observa
entretanto que no primeiro o que cerca os personagens é a fome, enquanto que
no segundo é a perda da noção do que os espera.
Outras
influências no autor são claramente significativas: Dostoievsky, Maupassant,
Hemingway, Steinbeck, Graciliano Ramos e Jack London. Este último ajuda a
inspirar o estilo simples e directo de muitas passagens dos contos e
romances de Manuel. Um exemplo é, em
Seara de Vento, a luta entre Palma, João Carrusca e a águia na disputa
por um coelho, outros encontram-se nos contos
Amor Agreste e a
Testemunha, incluídos em
O Fogo e as Cinzas.
No
prefácio à nona edição de O Fogo e as
Cinzas (também publicado no Diário de Lisboa em 1 de Julho de 1982), em
que refere a sua dívida de gratidão para com Carlos de Oliveira, e mais
amigos, a quem deve terem reunido o material que integra o livro, disperso
por livros e revistas, Manuel da Fonseca afirma “As
pessoas de quem escrevo são as que houve na minha vida. Gente de família ou
conhecida. Nelas me fui descobrindo e sendo eu próprio as vidas que contei.
É isso, eu. Até quando escutava a vida de algum desconhecido, logo descobria
que esse desconhecido era dois ou três indivíduos que já conhecia um dos
quais, com o tempo, começava a ser eu.” É de notar que, nos seus contos,
os mesmos personagens, se assim se pode dizer, percorrem várias histórias.
Por exemplo, o Rui que personifica o próprio Manuel, está presente nos
contos O primeiro camarada que ficou
no caminho, Sete-Estrelo,
A Viagem e
Nortada. E, sob o nome de
Adriano, é o personagem central de
Cerromaior. O Estroina aparece em
O primeiro camarada que ficou no caminho e no
Sete-Estrelo. O Maltês de
Planície, descendente do Gitano
de Lorca, prolonga-se no Tóino Revel de
Cerromaior e no Palma de
Seara de Vento? Talvez. Mas o que
é verdade é que em O Diabo n.º.
234, de 18 de Março de 1939, Manuel da Fonseca publica um texto intitulado
Trecho de um Romance, passado num
Largo (será o de O Fogo e as Cinzas?)
e por onde circulam personagens que são o Maltês, Chico Raínho, Zé Limão,
Charrua, Valmansinho. Até aparece o Rui, que já é estudante na altura (não
se sabe o ano que está a decorrer). Manuel da Fonseca cria os personagens, a
partir de pessoas reais e vive-os.
Manuel
da Fonseca ficou ligado à terra onde nasceu até ao fim da sua vida. Trouxe o
Alentejo ao mundo. E do Alentejo viu o mundo. Não é o que se chama um
escritor regionalista. Os seus contos e romances, até
Seara de Vento, decorrem quase
sempre no Alentejo, mas poderiam muito bem ser transportados para outros
ambientes com contradições sociais e em mudança.
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A Obra, Breve resumo, Algumas notas
Manuel
da Fonseca é autor de poesia, contos, romances, crónicas, argumentos de
filmes, peças de teatro. Indica-se a seguir as suas obras principais, e o
ano de publicação:
Rosa dos
Ventos,
poemas – 1940
Planície,
poemas –
1941
Aldeia
Nova,
contos – 1942
Cerromaior,
romance – 1943
O Fogo e
as Cinzas,
contos – 1951
Seara de
Vento,
romance – 1958
Poemas
Completos
– 1958
Um Anjo
no Trapézio,
contos – 1958
Tempo de
Solidão,
contos – 1973
Antologia de Fialho de Almeida
– 1984
Crónicas
Algarvias
- 1986
Há que
acrescentar que Manuel da Fonseca é autor do argumento e dos diálogos do
filme Três da Vida Airada,
realizado por Perdigão Queiroga em 1952. Trata-se de uma comédia com Milu,
António Silva e Eugénio Salvador, que não tem grande impacto.
Cerromaior tem uma
adaptação para o cinema realizada por Luís Filipe Rocha em 1981, e recebe o
grande prémio do festival da Figueira da Foz, o Cólon de Oro do Festival
Internacional Ibero-Americano de Huelva e outras distinções. Em 1975 faz-se
uma adaptação de Seara do Vento
para a televisão. João Botelho em 2006 filma
Avé Maria, com base num argumento
de Manuel da Fonseca. O original
Marina, guião para um filme, um drama numa vila de pescadores, está no
espólio confiado ao Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira. Será de
referir que intervém como actor no filme
O trigo e o joio, baseado
no romance homónimo de Fernando
Namora.
Manuel
da Fonseca chega a ser colaborador da
Mosca, suplemento humorístico do
Diário de Lisboa, dirigido por Luís de Sttau Monteiro. Os dois chegam a
encetar a quatro mãos um folhetim humorístico,
As filhas da Viscondessa, que
fica inacabado. Encontram-se nas
Crónicas Algarvias escritos que se podem integrar no campo do humorismo,
como por exemplo na parte Olhão
Alegre e Amável, a crónica com o título
Ninguém Sabe Onde São as Açoteias.
Parte da
sua obra fica por concluir ou está dispersa por jornais, revistas, etc., à
espera de ser tratada e reeditada. A família possui material que nunca foi
publicado. Outro material estará por descobrir. Há o caso de
Os Imperadores do Chile, romance
em que Manuel da Fonseca trabalha ao longo de muitos anos, mas não chega a
concluir. Destina-se a contar a história dos garotos que vagueiam pela Praça
do Chile e arredores, vindos dos bairros pobres vizinhos. Manuel conhece-os
desde o tempo da Estefânia. Óscar Lopes já lhe terá feito uma referência num
colóquio no Porto em 1963. Outro caso será o de uma adaptação para teatro de
Seara de Vento, sob o título
A Casa Cercada.
Agradecimentos
Ao Artur
da Fonseca, à sua esposa Maria Luísa pela gentileza, simpatia e abertura do
acolhimento, e pelos elementos dispensados.
Ao Museu
do Neo-Realismo de Vila Franca de Xira e sua equipa, por todo o apoio dado,
e pela compreensão e abertura demonstradas.
À
Associação Cultural Manuel da Fonseca do Pragal, nas pessoas da Luísa Basto
e do João Fernando, pela enorme simpatia, caloroso acolhimento e elementos
dispensados.
À Torre
do Tombo e aos seus excelentes serviços, que são um orgulho para todos nós. |