(Horta, 1840 - Lisboa, 1917) Manuel José de Arriaga Brum da Silveira é o 1.º presidente constitucional da
República Portuguesa (de 1911 a 1915); licenciado em Direito na Universidade de Coimbra
em 1865, é advogado e também professor liceal de Inglês em Lisboa. Escreve poesia e
contos de tendência romântica, assim como algumas obras de carácter político-social (Sobre
a Unidade da Família Humana debaixo do Ponto de Vista Económico, p. ex.). Membro do
Partido Republicano, pertence ao seu directório aquando do 31 de Janeiro de 1891. Eleito
deputado da minoria republicana em 1882 pela Madeira, cargo em que se mantém até 1892,
dado que é reeleito para outra legislatura. Orador notável, contribui com os seus
discursos para o advento da República, sendo também eleito para a Constituinte de 1911
e, depois, para a Presidência da República, após alguns meses como reitor da
Universidade de Coimbra. Em relação à Igreja procura manter um bom relacionamento, no
que não é acompanhado por outros notáveis da República, sem no entanto abdicar da
supremacia do poder civil. Durante a sua presidência tudo faz para conciliar as várias
forças republicanas, mas o seu mandato é constantemente perturbado, inclusive pelas
incursões de Paiva Couceiro para restabelecimento da monarquia. O eclodir da Primeira
Guerra Mundial não facilita o desempenho do seu cargo, e acaba por formar vários
governos, sempre com grande dificuldade; o Parlamento acaba por fechar e o presidente da
República é considerado fora da lei. Em 1915 a ditadura de Pimenta de Castro é
derrubada pela Revolução Constitucionalista de 1915 (14 de Maio), o que leva Manuel de
Arriaga a renunciar ao seu mandato doze dias mais tarde. |