Lucius Sergius Catilina
(?, 108 a. C. - Pistoia, 62 a. C.) Catilina é uma personagem envolta em mistério e contradição, as poucas fontes históricas que dispomos foram feitas por inimigos de Catilina, tais como Cícero, o qual paradoxalmente procurou o apoio de Catilina até se tornarem adversários políticos. Um facto que persiste em toda a documentação é uma suposta devassidão moral de Catilina perante os padrões romanos, a vontade de viver a vida e todos os seus prazeres, foi uma característica de Catilina, facto que Cícero, estadista conservador, nunca perdoou a Catilina. Filho
de uma família patrícia em decadência económica, Catilina prestou
serviço militar na guerra civil de 89 A.C. ao lado do ditador Sila. Em 73
foi acusado pela violação de uma virgem vestal, um crime considerado
mortal pelos antigos romanos mas foi absolvido. Foi nomeado copretor em África
em 68. Regressa a Roma em 65 e ganha o favor de algumas figuras
importantes, cai nas graças do povo devido à sua política populista,
Catilina apoiava os libertos (escravos libertados). Tinha a simpatia de César
e o apoio de todos os descontentes do sistema instalado. Data de 65 uma
possível mas não confirmada conspiração de Catilina para usurpar o
poder e derrubar o senado. Concorre
às eleições de cônsul em 64 perdendo-as para Cícero, nesta altura
surge a inimizade entre os dois políticos. Inicia-se uma feroz batalha
política entre os dois adversários, com acusações mútuas para todos
os gostos, desde acusações de assassínio do próprio filho até
tentativas de assassinato. Em
63 perde novamente a eleição para Cônsul e sob a pressão de Cícero o
senado decreta uma lei dando poderes
extraordinários ao cônsul para lidar com a ameaça de Catilina o senatus
consultum ultimum. Catilina
abandona Roma após o célebre discurso de Cícero, Quosque tandem abutere Catilina patienta nostra? este texto é
considerado uma obra-prima de retórica o qual convenceu o senado a
ostracizar Catilina. Lucius
Sergius Catilina parte em direcção ao exílio em Massilia(actual
Marselha) seguido por um considerável numero de jovens romanos,
libertos e ex-combatentes partidários de Sula. Catilina
era visto por alguns como um revolucionário democrata e um louco demagogo
por outros. Surpreendentemente recusa o exílio e parte para uma guerra
suicida contra Cícero, mas os seus generais são fracos e com pouco carácter
e comprometem a revolução. Cícero
consegue capturar alguns dos principais partidários de Catilina e contra
a posição de César no
senado condena-os à morte sem julgamento. Apesar
das recompensas oferecidas por Cícero para abandonarem Catilina, nem um
único homem o abandonou. Catilina enfrenta o exército do senado numa
desproporção de três para um, e perde inevitavelmente a batalha tendo o
seu cadáver sido encontrado no meio dos seus inimigos isolado na linha da
frente. É reconhecida pelos seus inimigos a sua bravura e nenhum corpo
dos rebeldes foi encontrado com feridas nas costas. (Esta nota biográfica é de autoria de MANUEL SILVA) |