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Lord Byron

(Londres, 1788 - Missolonghi, 1824)

 

Poeta inglês. George Gordon Byron, de vida tão exaltada e turbulenta como a sua obra, é o protótipo do poeta romântico. Filho de um aristocrata dissoluto, desde criança tem que se confrontar com dois problemas: a sua coxeadura congénita e a ruína económica da família. Após herdar o título de lorde converte-se num compêndio do brilhantismo e da elegância pessoal. Entre 1805 e 1808 estuda no Trinity College de Cambridge.

Em 1806 publica o seu primeiro livro de poemas, Fugitive Pieces, que é proibido de imediato. No ano seguinte dá à impressão um novo livro, Hours of Idleness, que recebe duras críticas da Edinburgh Review. Em resposta a elas escreve e publica English Bards and Scotch Reviewers, de tom depreciativo, que lhe dá reputação como poeta satírico. Incómodo pela estreiteza de vistas da classe alta britânica, viaja durante dois anos por Portugal, Espanha, Grécia e Turquia. Durante este período forma a sua sensibilidade e a sua consciência política. No seu regresso, em 1812, publica os dois primeiros cantos de Childe Harold’s Pilgrimage, uma espécie de diário poético que revela os seus estados de alma. Este poema obtém uma ressonância imediata e torna famoso Lord Byron, tanto pela sua forma de cultivar o oriental e o exótico como pela sua meditação filosófica de ordem romântica. Nele, o poeta apresenta-se a si mesmo como um característico filho do seu tempo, um dândi misterioso e homem fatal para si mesmo e para os outros.

Na Câmara dos Lordes, a que pertence pelo nascimento, pronuncia vários discursos que levantam grande escândalo e lhe valem fama de perigoso extremista. Em pouco tempo (1813-16) publica uma série de contos orientais que aumentam a sua celebridade (The Giaour, The Bride of Abydos, The Corsair, Lara, etc.). Neles se anunciam os seus dotes narrativos, de imediato confirmados noutras obras. Em 1815 casa-se e pouco tempo depois é abandonado pela mulher. O escândalo que suscita este facto e os murmúrios sobre certas relações incestuosas com a irmã fazem-no perder o favor da classe alta londrina.

Byron abandona a Inglaterra e anda sucessivamente pela Suíça, onde conhece o poeta Shelley, e pela Itália. Em 1816 e 1818 publica o terceiro e o quarto cantos de Childe Harold’s Pilgrimage. São anos de plena produção literária. Com o drama Manfred inicia a sua produção literária, a que, com o tempo, se acrescentam outras sete peças. Viaja por Itália e em Veneza, durante anos, leva uma vida caracterizada pelo escândalo e o abuso do álcool. É a época de Beppo, poema burlesco e ao mesmo tempo conto licencioso inspirado em Boccaccio. Entre 1818 e 1824 escreve Don Juan, obra satírica incompleta de tom burlesco. Cerca de 1820 prossegue a sua actividade política em Itália, afrontando os interesses ingleses. Em 1822, Byron publica uma nova peça do seu génio satírico, The Vision of Judgement, violento ataque contra o poeta romântico Southey.

Em 1823 une-se com ardor à luta dos Gregos pela sua independência contra os Turcos. Três meses depois morre, de umas febres, em Missolongui. Tem trinta e seis anos, vividos com a mesma paixão e exaltação que põe na sua poesia.

A obra poética de Byron tem duas etapas claramente delimitadas: antes de 1816 e depois desta data. A primeira etapa é claramente romântica, e a sua obra mais característica é Childe Harold’s Pilgrimage. Os elementos dominantes são o sentimento e os lugares-comuns do romantismo. Na segunda etapa, a produção literária de Byron consiste, principalmente, em poemas burlescos. O mais notável de todos é Don Juan, poema herói-cómico e satírico em que se misturam a sátira e a épica numa estrutura de narrativa picaresca.

Byron é vítima de dramáticas contradições como homem e como poeta. Capaz de expressar-se com o mais delicado dos lirismos, às vezes exalta-se por um cinismo arrogante.

A sua passagem por Portugal é marcada por um infortúnio amoroso causado por um marido ciumento, o que, segundo biógrafos seus, está na origem das depreciativas referências que faz, na sua obra Childe Harold's Pilgrimage, não só a Portugal mas também aos Portugueses.