Locke, JohnWrington, Somersetshire, 1632 - Oates, Essex, 1704
Filósofo inglês, Pertencente a uma família de tradição puritana, realiza os seus estudos secundários em Londres, na escola de Westminster, para depois continuar na Universidade de Oxford, onde mais tarde obtém um cargo. A leitura das obras de Descartes impressiona vivamente o seu espírito. O seu interesse pela realidade leva-o a ocupar-se de assuntos relacionados com a física, a química, a medicina e a política. Ocupa diversos cargos públicos, mas a sua saúde e a maledicência dos Stuart obrigam-no a passar dois anos em Montpellier (1675-77) e, posteriormente, na Holanda. Locke não volta a Londres até passar a Revolução de 1688. Guilherme de Orange nomeia-o comissário régio do comércio e das colónias. Pouco depois publica Cartas sobre a Tolerância e em 1690 os seus dois tratados Do Governo e a sua obra capital: Ensaio sobre o Entendimento Humano. Locke dedica a primeira parte do seu Ensaio sobre o Entendimento Humano a demonstrar que não existem ideias nem princípios inatos. A havê-los, argumenta Locke, todos os seres humanos os possuem a partir do primeiro momento da sua existência. Isto não acontece assim, portanto não há ideias inatas. Coloca o problema do conhecimento de um modo psicologista. O psicologismo pode ser definido como a doutrina segundo a qual o valor dos conhecimentos depende da sua origem e génese; Locke estuda esta génese do ponto de vista dos processos psíquicos da mente humana. Quanto às ideias, para Locke são o objecto imediato da nossa percepção ou conhecimento; as ideias são imagens ou representações da realidade exterior. Distingue entre ideias simples e complexas. As ideias simples provêm da sensação ou da reflexão. As ideias complexas procedem da combinação de ideias simples. As ideias complexas podem ser de três tipos: ideias de substâncias, ideias de modos e ideias de relações. No que se refere à substância, Locke afirma que não a conhecemos. Um fragmento de matéria há-de ter uma estrutura determinada em virtude da qual possui umas qualidades e não outras, mas a referida estrutura não é desconhecida. Em consequência, a experiência é a origem e ao mesmo tempo o limite do nosso conhecimento.
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