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Liszt, Franz

Raiding, 1811 - Bayreuth, 1886

 

Compositor e pianista húngaro. Ferenc Liszt, seu nome húngaro, dá-se a conhecer aos nove anos como menino prodígio. Educa-se musicalmente em Viena e em Paris. Aos catorze anos escreve uma obra de ópera num acto, Dom Sancho ou O Castelo do Amor. Em continuação inicia uma prolongada série de espectáculos pela Europa no decorrer dos quais realça o seu magistral talento de virtuoso do piano com obras de Bach, Beethoven, Haendel e Weber. Ao mesmo tempo começa a compor por sua conta.    

A partir de 1860 vive alternadamente em Weimar, Roma e Budapeste. Durante alguns anos instala-se em França, onde leva uma vida tumultuosa e desordenada. Compõe numerosas obras, colabora na Revue et Gazette Musicale e trava estreita amizade com o compositor alemão Richard Wagner. Após uma nova série de espectáculos triunfais pela Europa instala-se em Weimar. Ali aceita a oferta do duque e torna-se seu mestre-de-capela. Trabalha num considerável número de obras próprias e labora infatigavelmente para dar a conhecer as de Wagner, cujo Lohengrin faz interpretar.    

Quando voltam ao seu espírito as inclinações místicas da sua juventude, abandona repentinamente Weimar e encaminha-se para Roma. Ali tonsura-se e logo faz que o chamem «o eclesiástico» Liszt. Mas recebe apenas as ordens menores. Depois de residir em Roma durante vários anos, volta a visitar as principais cidades europeias em diversas digressões como pianista. Morre após uma representação de Tristão.    

A sua obra de compositor é extensa. Entre os seus poemas sinfónicos há que citar Tasso, Orfeu, Mazeppa e Hamlet e Os ideais. Com estas obras de inspiração literária amplia a sua linguagem harmónica de corte romântico e converte as suas vivências literárias, as impressões causadas por paisagens e cidades, em peças para piano de carácter intimista. Entre as suas sinfonias com coros e diversas peças orquestrais destacam-se Valsa Mefisto, Marcha Festiva e outras. Compõe, além disso, grande número de obras para piano, entre as quais se contam as célebres Rapsódias Húngaras. Para canto são várias: Missas, um Requiem, as oratórias Christus, A Lenda de Santa Elizabete; diversas cantatas, uns sessenta lieder, diversas peças corais para quatro vozes masculinas, etc.    

Na década 1870-80, Liszt escreve composições para piano que vão para além dos limites do romantismo e representam um decidido avanço até ao estilo musical do século xx (Jogos de Água da Vila de Este, Czarda Macabra).    

Dedica escritos teóricos a temas de música contemporânea, às relações entre a música húngara e a cigana, a questões de dramaturgia musical e à renovação da música sacra. Entre as suas obras literárias, as mais interessantes são Lohengrin e Tannhauser de Richard Wagner, Chopin, Sobre os Boémios  e a Sua Música na Hungria, Robert Franz, etc. Também se publica a sua epistolografia. Na sua época é considerado um compositor estranho, cheio de força, com aspectos um tanto fantásticos e excessivos e um virtuoso do piano incomparável.    

A sua filha Cosima Liszt casa-se com H. Büllow, director de orquestra e, posteriormente, com Richard Wagner: à morte deste último ela encarrega-se dos festivais de Bayreuth.