Regressar à Página Principal   Regressar à página "VIDAS"

Varanda.jpg (11932 bytes)

 

Júlio César

(Roma, 100 a. C. - idem, 44 a. C.)

Militar e estadista romano. É sobrinho de Mário, um proeminente aristocrata romano que se faz nomear, aos dezassete anos, sacerdote de Júpiter. Perseguido por Sila, refugia-se na Bitínia. Nestas terras asiáticas, inicia-se no ofício das armas. Aquando da morte do ditador, regressa a Roma, participa nas instituições civis e, de seguida, chega a Rodes para aperfeiçoar a sua eloquência. Durante uma destas viagens é sequestrado por piratas, que pedem 20 talentos de resgate; César oferece-lhes 50 e assegura-lhes que de seguida vai acabar com eles; e assim o faz. No ano de 74 a. C. é eleito membro do colégio dos pontífices. É, sucessivamente, tribuno militar, questor e edil. Após a conjura de Catilina é-lhe concedido o governo da Hispânia Ulterior. Carregado de dívidas, pode sair de Roma graças ao seu amigo Creso que lhas paga. No ano de 69 a. C. inicia a sua administração da província hispânica, tornando-a próspera e enriquecendo ele próprio. Ao regressar César da Hispânia, Pompeu regressa da Ásia. Ambos hostilizados com o Senado, formam, com Crasso, o primeiro triunvirato. Contam com o apoio do exército e do povo. No ano de 60 a. C., César é nomeado cônsul. Adopta medidas políticas e administrativas passando por cima do Senado. Nomeado governador da Gália, assenta o seu prestígio militar em longas campanhas bélicas. No ano de 51 a. C., a Gália fica completamente submetida ao poder das legiões romanas. O Senado, assustado com os seus êxitos, seduz Pompeu, encarregando-o da defesa da República. Então César, à frente das suas tropas, atravessa um pequeno rio fronteiriço, o Rubicão, e aproxima-se ameaçadoramente de Roma. Pompeu foge precipitadamente para o Oriente. César, então, dirige-se primeiro à Hispânia, onde vence as forças de Pompeu ali estabelecidas, e, de seguida, ao Oriente. Em Farsalo (48 a. C.) vence definitivamente Pompeu, que perde a vida. César, retido pelos encantos de Cleópatra, fica uma temporada no Egipto. Volta de seguida a Itália, onde vence os adeptos de Pompeu em Thapsus, e combate os filhos de Pompeu na Hispânia, vencendo-os em Munda (Ronda) no ano de 45 a. C.  
De volta a Roma recebe as máximas honras e é nomeado ditador vitalício. Carregado de honras quase reais, adopta diversas medidas legislativas e administrativas que molestam as famílias patrícias de Roma. Com a desculpa de evitar que se converta em rei, Catão, Bruto (afilhado de César) e outros põem-se de acordo para o assassinar, coisa que fazem no mesmo Senado (ano de 44 a. C.).  

Como escritor, Júlio César adopta posturas de político e militar. Neste sentido, tanto os seus discursos como as suas obras históricas tentam expor e justificar as suas acções. Para isso deformam os factos e incorre em omissões e inclusive em falsificações, o que lhe permite oferecer uma imagem perfeita de si mesmo. Apesar disso, César é merecidamente considerado um autor clássico e um modelo da língua latina. Da sua clareza e concisão, da sua expressão precisa, do seu uso da terceira pessoa para se referir a si mesmo, depreende-se uma poderosa objectividade. Em De Bello Gallico relata as suas campanhas contra os Galos até à derrota de Vercingétorix, seu chefe. E em De Bello Civile narra as suas campanhas contra Pompeu.