João Domingos
Bomtempo
Lisboa, 1771 - idem, 1842
Pianista
e compositor português. Filho de um músico italiano, Francesco Saverio
Buontempo, oboísta na Corte de Lisboa, e que vem a ser o seu primeiro
professor de Música. Afirma-se como pianista e compositor em Paris, onde
reside entre 1801 e 1810, tornando-se célebre em Londres, onde passa a
viver a partir desta data, regressando a Lisboa em 1814, onde funda uma
sociedade de concertos, visitando assiduamente Londres e Paris. Após a
Revolução Liberal de 1820 fixa-se definitivamente em Lisboa, apesar das
perseguições no período miguelista que o obrigam a viver refugiado no
Consulado da Rússia durante cinco anos. Entretanto, em 1822, cria a
Sociedade Filarmónica, com o objectivo de divulgar a música instrumental
clássica, que dirige até à sua extinção seis anos mais tarde, por
causa, primeiro, da Vila-Francada miguelista, que proibe os seus concertos
e, depois, pelo golpe de Estado de D. Miguel, em 1828, que a leva à extinção.
Restabelecido o poder dos liberais, em 1833, é nomeado professor de Música
da rainha D. Maria II. Graças aos esforços de J. A. Rodrigues da Costa
(1798-1870) é criado o Conservatório Nacional em 1835, do qual é
nomeado director, cargo este que mantém até à morte. Para
além de pedagogo de relevo, destaca-se como pianista e torna-se um
elevado compositor, mantendo ainda hoje um lugar de honra entre os
compositores portugueses, particularmente como introdutor e criador das
formas da música instrumental clássica, como a sonata, o concerto e a
sinfonia, na peugada dos mestres da Escola de Viena: Haydn, Mozart e
Beethoven. Da sua obra há que destacar as Sonatas para piano, a Missa de Requiem (à Memória de Camões), que segue o texto litúrgico da Missa pro defunctis, a 2.ª Sinfonia, Variações «Alessandro in Éfeso», Fantasia e Variações sobre Uma Ária de Mozart, etc. A Secretaria de Estado da Cultura, na sua Biblioteca Básica Nacional, tem editado as suas obras. |