| Jean Anouilh
(Bordéus, 1910 - Paris, 1987) Dramaturgo francês. Inicia a carreira de Direito, que não termina. Trabalha no campo da publicidade até que, em 1932, inicia a sua carreira teatral com O Arminho. Desta época inicial são uma série de obras que obtêm bom acolhimento por parte do público: O Viajante sem Bagagem, A Selvagem, O Baile dos Ladrões, Eurídice e Antígona, estas duas últimas recriações modernas de temas clássicos. Na sua obra é patente a herança de certos elementos da tradição romântica, presentes tanto nas comédias como nos melodramas. Manifesta um notável pessimismo sobre a condição humana, mas fá-lo com um critério de medida e de grande exactidão formal; neste sentido, é um brilhante artífice teatral e um dramaturgo tipicamente burguês que goza de grande aceitação. Ele mesmo agrupa as suas obras em virtude do seu carácter: obras negras, obras rosas,
obras brilhantes, etc. Mas o certo é que em todas elas Anouilh mostra uma versatilidade
formal surpreendente, graças à qual expressa com coerência uma visão fundamentalmente
trágica da vida. As suas obras de maturidade mais interessantes são O Convite para o
Castelo, Medeia, A Cotovia, Becket ou a Honra de Deus (de enorme êxito tanto na sua
versão teatral como na cinematográfica; versa sobre as tortuosas relações entre
Henrique II de Inglaterra e o arcebispo Thomas Becket, que acaba assassinado por ordem do
rei), Querido António ou o Amor Falido e Os Peixes Vermelhos. Nas suas
últimas obras introduz elementos autobiográficos e alude a problemas de índole
política. Tal é o caso de Queridos Pássaros (crítica grotesca dos intelectuais
de esquerda) e de Os Calções (sobre as feministas). |