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INÊS DE CASTRO
A paixão fatal d’el-Rei D. Pedro: 1325? - 1355
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QUANDO TUDO ACONTECEU... 1320: Em Coimbra, a 8 de Abril, nasce o príncipe D. Pedro, filho de D. Afonso IV, rei de Portugal. - 1340: D. Afonso IV participa na batalha do Salado ao lado de Afonso XI de Castela, é a vitória decisiva da cristandade sobre a moirama da Península Ibérica. Inês de Castro, dama galega, vem para Portugal no séquito de D. Constança, noiva castelhana de D. Pedro; paixão adúltera e fulminante de Pedro por Inês. - 1345: Nasce D. Fernando, filho de D. Constança e de D. Pedro. - 1349 ?: Morte de D. Constança. - 1354: Influenciado pelos Castro (irmãos de Inês), D. Pedro mostra-se disposto a intervir nas lutas dinásticas castelhanas. - 1355: A 7 de Janeiro, com o consentimento d’el-Rei D. Afonso IV, nos paços de Santa Clara (Coimbra) Diogo Lopes Pacheco, Pedro Coelho e Álvaro Gonçalves degolam Inês de Castro; revolta de D. Pedro contra o pai. - 1357: Morte de D. Afonso IV; D. Pedro sobe ao trono e manda executar os assassinos de Inês de Castro. - 1361: Do Mosteiro de Santa Clara (Coimbra) para o Mosteiro de Alcobaça, D. Pedro I manda trasladar os restos mortais de Inês de Castro. - 1367: A 18 de Janeiro morre D. Pedro I, em Estremoz. |
COLO DE GARÇA |
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Viajar no tempo é meu condão. Aponto
ao sec. XIV, pois quero certificar-me de ocorrência que me intriga. No
caminho vejo três poetas, três vezes paro eu.
Abordo-os, um a um. Digo-lhes ao que vou, convido, aceitam,
embarcam. São eles: Luís
de Camões, nascido em 1542; António Ferreira, nascido
em 1528; e Garcia de Resende, nascido talvez em 1470. Em 1340 arribamos a Coimbra e ali
descemos. É noite. Grande agitação pelas ruas e vielas, cantorias,
arraiais, bailaricos, todo o povo a festejar o regresso de D. Afonso IV.
Homem bravo, fora ele quem acudira a Afonso XI de Castela para, na batalha
do Salado, em conjunto derrotarem a moirama da Península Ibérica. Um rancho com tochas acesas sai de um
beco. Logo depois, cercado por tocadores de trompas e adufes, em passos
ligeiros e bem marcados, surge um folião que a todos arrasta para a dança
colectiva. Garcia de Resende reconhece o dançarino: - Mas é D. Pedro, o filho d’el-Rei
D. Afonso IV... E tem razão, é D. Pedro que, apesar
de Príncipe herdeiro, não se recusa a conviver, a bailar e a divertir-se
com a arraia-miúda. Diz Camões: - O Príncipe a bailar e não tarda
muito vai casar... Palavras ditas e, sem sabermos como tal
aconteceu, logo nos encontramos na Sé de Lisboa a assistir à benção
nupcial. Já corre o mês de Agosto, sol é o que não falta à beira-Tejo.
Casamento, mas de conveniência, como são todos os que se realizam entre
os nobres dos vários reinos ibéricos (e europeus...). A noiva, D.
Constança, é fidalga castelhana cujo pai mantém um contencioso com
Afonso XI de Castela. Talvez por isso, faz parte do séquito de D. Constança,
D. Inês de Castro, dama galega cujos irmãos também hostilizam D. Afonso
XI. D. Constança é a noiva, sabemos
disso. Mas D. Pedro fica é deslumbrado com formosura de D. Inês que, por
sinal, é sua prima segunda (os tais cruzamentos de sangue dos nobres ibéricos...).
Também Camões
queda embevecido, murmura: - Colo de garça... Vontade minha é dizer “quanto mais prima, mais se lhe arrima...” Mas não digo, a situação
é delicada, gracejos perdem o sentido. Pergunto apenas: - Quem pode resistir a tamanha
boniteza? Bem entendo a perturbação do Príncipe... António Ferreira mostra-se inquieto,
assusta-se, assusta-nos: |
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| RAZÃO DO ESTADO, RAZÃO DO AFECTO | |
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Se Inês perdeu a fala, mudo ficou D.
Pedro. O Príncipe enamorado e a dama de companhia que não se esquiva à
investida. Inês seduzida ou sedutora? Creio que isto e aquilo mas num
mesmo instante, paixão a fulminar os dois amantes... Adultério, pecado?
Lá pecado será, porém mortal é que não. Venial, pecadilho daqueles
que se purgam com uma confissão e meia dúzia de padre-nossos. Portanto,
se condenados vão ser os amantes, não será por motivo religioso, mas
por outro... E condenados estão eles. Condena-os a
nobreza e condena-os el-Rei D. Afonso IV. Por dois motivos, mas políticos: 1.º - De D. Constança, entretanto
falecida, D. Pedro tem um legítimo herdeiro ao trono, D. Fernando. De Inês
de Castro, D. Pedro tem três bastardos. El-Rei e a nobreza temem que
algum dos bastardos possa, futuramente, querer impugnar a legitimidade de
D. Fernando. Portanto, perigo eventual de guerra civil; 2.º - Os Castros, irmãos de Inês,
pressionam D. Pedro no sentido de tomar para si também o trono de
Castela. Em finais de 1354 D. Pedro acaba por aceitar a ideia. Só por
pressão do pai é que, à última hora, suspende a sua intervenção em
Castela. A nobreza e el-Rei temem que D. Pedro acabe por arrastar o reino
de Portugal para as lutas dinásticas de Castela. Entendem os nobres, alvitra el-Rei, que
só a morte de Inês de Castro poderá livrar o Príncipe de tão funesta
influência.
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Ó TU, QUE TENS DE HUMANO O GESTO E O PEITO... |
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Inês de Castro assassinada. Entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo? Consulta a TÁBUA CRONOLÓGICA. |
Mas não é só a nobreza e el-Rei a
condenarem os amantes. Também a arraia-miúda, por temer guerras com os
castelhanos, os condena. No norte de Portugal o cognome que se dá a
“putas intriguistas” passa a ser “Inês de Castro”... Eu, e os meus companheiros de viagem,
chegámos a Coimbra em 1340. Agora já estamos nos primeiros dias de
Janeiro de 1355. No Castelo de Montemor-o-Velho assistimos à reunião do
conselho de D. Afonso IV. Nobres influentes, como Diogo Lopes Pacheco,
Pero Coelho e Álvaro Gonçalves, convencem el-Rei a decretar a morte de
Inês de Castro. D. Pedro está fora, numa caçada, e a 7 de Janeiro
aqueles três nobres e el-Rei aproveitam a ausência para invadir o Paço
de Santa Clara, em Coimbra. Apenas eu, e os meus companheiros, nos
revoltamos contra a hipótese da matança. Camões (1)
descreve o remanso inicial: Estavas,
linda Inês, posta em sossego, De
teus anos colhendo doce fruito, Naquele
engano da alma, ledo e cego, Que
a fortuna não deixa durar muito (...) Quando no Paço de Santa Clara irrompem
el-Rei e os matadores, Garcia de Resende (2)
põe Inês de Castro a clamar: “Estes
homens d’onde irão?” E
tanto que perguntei, Soube
logo que era el-Rei. Quando
vi tão apressado, meu
coração trespassado foi,
que nunca mais falei. E
quando vi que descia, Saí
à porta da sala; Devinhando
o que queria, Com
grã choro e cortesia Lhe
fiz ua triste fala. Meus
filhos pus derredor De
mim, com grã humildade; Mui
cortada de temor, Lhe
disse: “havei, Senhor, Desta
triste, piedade! Não
possa mais a paixão Que
o que deveis fazer; Metei
nisso bem a mão, Que
é de fraco coração Sem
porquê matar mulher; Quanto
mais a mim, que dão Culpa
não sendo razão, Por
ser mãe dos inocentes Que
ante vós estão presentes, Os
quais vossa netos são. E
têm tão pouca idade Que,
se não forem criados De
mim, só com saudade E
sua grã orfandade, Morrerem
desemparados. Olhe
bem quanta crueza Fará
nisto Vossa Alteza, E
também, Senhor, olhai, Pois
do príncipe sois pai, Não
lhe deis tanta tristeza. (...) Também António Ferreira (3) ouve e descreve algo de equivalente, Inês de Castro
a censurar Afonso IV: Esta é a mãe dos teus netos. Estes são Filhos
daquele filho, que tanto amas. Esta
é aquela coitada mulher fraca, Contra
quem vens armado de crueza. (...) Que te posso querer, que tu não vejas? Pergunta-te
a ti mesmo o que me fazes, A
causa, que te move a tal rigor. Dou
tua consciência em minha prova. S’os
olhos de teu filho s’enganaram Com
o que viram em mim, que culpa tenho? Paguei-lhe
aquele amor com outro amor, Fraqueza
costumada em todo estado. Se
contra Deus pequei, contra ti não. Não
soube defender-me, dei-me toda, Não
a imigos teus, não a traidores. A
que alguns segredos descobrisse Confiados
em mim, mas a teu filho, Príncipe
deste Reino. Vê que forças Podia
eu ter contra tamanhas forças. Camões (1)
reforça a fala de
Inês: Ó
tu, que tens de humano o gesto e o peito (Se
de humano é matar uma donzela, Fraca
e sem força, só por ter sujeito O
coração a quem soube vencê-la), A
estas criancinhas tem respeito, Pois
o não tens à morte escura dela; Mova-te
a piedade sua e minha, Pois
te não move a culpa que não tinha. António Ferreira (3) prossegue o discurso da Castro: Não
cuidava, Senhor, que t’ofendia. Defenderas-mo
tu, e obedecera, Inda
que o grand’amor nunca se força. Igualmente
foi sempre entre nós ambos; Igualmente
trocamos nossas almas. Esta
que ora te fala, é de teu filho. Em
mi matas a ele, ele pede Vida
par’estes filhos concebidos Em
tanto amor. Não vês como parecem Aquele
filho teu? Senhor meu, matas Todos,
a mim matando; todos morrem. (...)
ai meus filhos, Chorai,
pedi justiça aos altos Céus, Pedi
misericórdia a vosso avô Contra
vós tal cruel, meus inocentes. Ficareis
cá sem mim, sem vosso pai, Que
não poderá ver-vos sem me ver. Abraçai-me,
meus filhos, abraçai-me, Despedi-vos
dos peitos que mamastes. (...) Confrangido, el-Rei hesita, retira-se.
Diogo Lopes Pacheco, Pero Coelho e Álvaro Gonçalves que decidam o que
fazer... E eles decidem: matam, degolam Inês. Camões (1)
descreve e pergunta: Arrancam das espadas de aço fino Os
que por bom tal feito ali apregoam. Contra
uma dama, ó peitos carniceiros, Feros
vos amostrais e cavaleiros?
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PEDRO, JUSTICEIRO E CRU |
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Quero comentar esta chacina com os meus
companheiros de viagem. Procuro por eles em Santa Clara, em Coimbra, no
choupal, nas margens esquerda e direita do Mondego, mas não os encontro.
Concluo que, arrepiados com a morte matada de Inês de Castro, cada qual
decidira regressar ao seu próprio tempo, esse é o centro de gravidade
que está sempre a puxar por nós. Fácil é tornar a ele, é só
escorregar e deixar-nos ir a meio do sono; quando acordamos já estamos lá.
Mais difícil é livrar-nos dele, há que ter condão. Eu, que sou um
obstinado, resolvo ficar por aqui mais um bocado... Vejo D. Pedro pegar em armas contra o
pai. Com a sua tropa, tenta mesmo ocupar a cidade do Porto. Mas também
vejo o bispo de Braga a tentar apaziguar a desavença. Para minha
surpresa, D. Pedro amansa. Deduzo que as palavras mágicas tenham sido
“a guerra civil envolve sempre o martírio de inocentes”, e D. Pedro a
lembrar-se então da inocência dos seus filhos com D. Inês... El-Rei exige que D. Pedro não persiga
os matadores de Inês de Castro e o Príncipe garante que já os perdoou.
El-Rei finge aceitar a palavra dada, mas dela desconfia... De qualquer
forma, começa a partilhar com o filho o mando e o comando do Reino. Mas
quando em 1357 cai no leito de morte, ainda consegue aconselhar os
matadores a exilarem-se em Castela. Pelo sim, pelo não, os três abalam e
tratam de cruzar fronteira... Morre el-Rei D. Afonso IV e a primeira
medida de D. Pedro de Portugal é combinar com D. Pedro de Castela (filho
de D. Afonso XI), a troca de homiziados castelhanos em Portugal por
homiziados portugueses em Castela. É assim que são entregues à justiça
portuguesa Pero Coelho e Álvaro Gonçalves. Diogo Lopes Pacheco
consegue fugir a tempo de Castela para Aragão e daqui para França. Enquanto trincha e come a sua vianda
mal passada pelas brasas e bebe o seu vinho tinto, D. Pedro I vai
assistindo à demorada tortura de Pero Coelho e Álvaro Gonçalves. A um,
é arrancado o coração pelas costas, a outro pelo peito. Persignam-se os
nobres e murmuram, apavorados: - El-Rei traiu a palavra dada... Mas a um homem bom (é o nome que neste
tempo se dá a um burguês conceituado), ouço dizer: - Quem trai a quem fez traição, tem
cem anos de perdão... A obsessão d’el-Rei D. Pedro I passa
a ser a justiça que aplica, de forma inclemente, contra criminosos quer
de origem nobre, quer plebeia, sem fazer distinção entre uns e outros, o
que muito agrada à arraia-miúda. Porém, mais do que fazer justiça, D.
Pedro gosta é de ver aplicá-la, goza muito com o sofrimento dos
condenados. Por isso ora dizem que é Justiceiro, ora dizem que ele é Cru
(cruel). Séculos mais tarde irão chamá-lo psicopata, sádico. Não digo
que não seja mas estou em crer que a sua Inês degolada em frente dos
filhos, infectou e fez purgar o lado obscuro da sua alma... Nos intervalos entre a aplicação da
justiça e a governação do Reino, do que D. Pedro mais gosta é de sair
pelas ruas a bailar e a folgar com outros foliões da arraia-miúda. Mas nunca se esquece da sua paixão.
Comentam que, depois da morte de D. Constança, teria casado secretamente
com Inês de Castro. Nunca ouvi D. Pedro dizer tal coisa e duvido que isso
tenha acontecido, pois seria afrontar desnecessariamente el-Rei D. Afonso
IV. Além do mais, para poder casar com uma prima, teria que obter licença
especial, bula papal. E desta não há qualquer notícia... Tenta é preservar a memória de Inês
de Castro. Mandou esculpir dois túmulos, um para Inês, outro para ele.
Colocados lado a lado, virão a ser os grandes expoentes da arte tumular
medieval portuguesa. Os baixos relevos do túmulo de D. Inês representam
cenas da vida de Jesus, da Ressurreição e do Juízo Final. Sobre a tampa
está esculpida a imagem de Inês, de corpo inteiro, com coroa na cabeça
como se fora rainha. As esculturas do túmulo de D. Pedro representam
cenas da vida dos dois apaixonados desde a chegada de Inês a Portugal.
Por sua ordem, os dois túmulos são colocados dentro da igreja, à mão
direita, cerca da capela-mor do Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça. Em
1361 D. Pedro manda trasladar os resto mortais de D. Inês, do Mosteiro de
Santa Clara para o Mosteiro de Alcobaça. Os restos mortais seguem em
liteira de luxo, conduzida por grandes cavaleiros, acompanhada por muita
gente, nobres, clérigos, burgueses e plebeus. Pelo caminho até Alcobaça,
muitos homens com círios nas mãos. No Mosteiro, muitas missas e grande
solenidade para depositar os restos de Inês em túmulo novo. Também comentam que D. Pedro forçou
os nobres a prestar vassalagem a D. Inês, obrigando-o as beijar a mão do
cadáver. Mas isso também não vi. Outros amores? Depois da morte de Inês,
D. Pedro não voltou a casar nem a amancebar-se. Sei apenas que, de uma
Teresa Lourenço, teve ainda um bastardo ao qual pôs o nome de João. O
que ninguém levou ou leva a mal... Nestes tempos, todo o nobre que se
preza, em casa tem um rancho de filhos legítimos e fora de casa tem um
rancho de bastardos. O curioso é que este bastardo João virá a ser o
futuro
Mestre
de Avis, fundador da segunda dinastia portuguesa. Sei
isto porque pertenço aos séculos XX e XXI; o que ainda vai ocorrer, para
mim já ocorreu. Pelo mesmo motivo também sei que os
amores de Pedro e Inês, por causa do testemunho dos meus três
companheiros de viagem, irão inspirar não apenas gerações de artistas
portugueses, mas de artistas de todo o mundo. Serão tema de ópera na Itália,
de zarzuela em Espanha, de romance e tragédia em França, etc.. Que mais tenho eu a dizer? Ah, já sei:
D. Pedro morre em 1367, em Extremoz, e o seu corpo é depositado no túmulo
do Mosteiro de Alcobaça, ao lado do túmulo de Inês de Castro. Governou
o Reino durante dez anos. E dizem as gentes, chorosas, que “este rei
nunca havia de morrer” e que “tais dez anos nunca houve em Portugal
como estes em que reinou el-Rei D. Pedro”. Bem, acho que já chegou a hora de
regressar ao meu próprio tempo, melhor é deixar-me escorregar a meio do
sono... ___________________ (1)
Versos
de Camões recolhidos no Canto III de Os
Lusíadas. (2)
Versos
de Garcia de Resende recolhidos nas TROVAS
À MORTE DE INÊS DE CASTRO in
CANCIONEIRO GERAL. (3)
Versos
de António Ferreira recolhidos na tragédia A
CASTRO. |