Hector
Berlioz
(La Côte-Saint-André,
Isère, 1803 - Paris, 1869) Músico francês. Filho de um médico,
é enviado para Paris para estudar a profissão paterna, mas em vez de se
matricular na Faculdade de Medicina fá-lo no Conservatório. Então o seu
pai retira-lhe a ajuda, e Berlioz vê-se obrigado a trabalhar para
continuar os seus estudos. Dá aulas, trabalha como corista e começa a
dar concertos. Em 1828 estreia várias peças em público. Tenta sem êxito,
por três vezes, obter o prémio de Roma do Instituto Francês e,
finalmente, em 1830, consegue-o com a sua cantata A Última Noite de Sardanapalus. Está apenas dois anos em Itália,
onde conhece Mendelssohn. De regresso a Paris casa-se com uma jovem actriz
inglesa, apesar da oposição de ambas as famílias. Uma vez casado, e
perante a impossibilidade de ganhar a vida com a música, começa a
escrever. Escreve artigos críticos em diversas revistas e consegue o
lugar de redactor da secção musical do Journal
des Débats. Serve-se do jornalismo para expor e difundir as suas
ideias. É um escritor de primeira ordem; posteriormente recolhe os seus
escritos musicais em três livros, Os
Saraus da Orquestra, Através de
Cantos e Os Grotescos na Música. Após a sua morte, publicam-se dois volumes
de cartas. O seu temperamento beligerante e o
seu desprezo pela opinião alheia causam graves danos à sua carreira de
compositor. Génio febril e desigual, não isento de incorrecções, é
dotado de uma originalidade rara e poderosa. A sua música, colorida acima
de tudo, introduz na instrumentação efeitos desconhecidos até ao
momento; também sabe achar ritmos de um sabor genuinamente original. É
considerado o único músico propriamente romântico da França e o
criador da instrumentação moderna. O seu Grande Tratado da Instrumentação e Orquestração Moderna
(1842-43) influencia poderosamente as gerações posteriores, e
especialmente os compositores russos do chamado «Grupo dos Cinco». |