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Giovanni Boccacio

(Paris?, 1313 - Certaldo, 1375)

Escritor italiano.  Filho ilegítimo de um comerciante florentino e de uma dama francesa, Giovanni Boccaccio é o grande narrador do século xiv. Na sua juventude escreve principalmente obras literárias e poéticas em italiano, enquanto na sua velhice predominam as obras latinas de erudição e poesia. O seu pai tenta encaminhá-lo para a carreira de cambista, para o que o envia para Nápoles. Mas ele detesta este trabalho e realiza estudos de Direito Canónico. Na sua formação tem grande importância o ambiente cultural da corte dos Anjou (Nápoles) e o trato com homens cultos, como o jurista e poeta Cino da Pistoia e o astrónomo genovês Andalò del Negro. Nesta primeira etapa da sua vida, lê muita poesia e variada literatura, desde os clássicos latinos até à literatura medieval de França e de Itália. São uns anos felizes, no mundo da burguesia rica e livre de preconceitos de Nápoles. Ali se apaixona por uma dama da corte, a qual canta com o nome de Fiammetta. Cerca de 1340 volta a Florença chamado pelo pai. Nos anos seguintes percorre as cortes do Norte de Itália. Em 1348 volta de novo a Florença, onde o surpreende a epidemia de peste que descreve mais tarde na introdução ao Decameron e que lhe tira o pai e muitos dos seus amigos. Em 1350 tem lugar o seu encontro com Petrarca, de grande transcendência psicológica e cultural. Continua a relacionar-se com ele em Pádua, Milão e Veneza, sempre com afecto e admiração. Por estas alturas, Boccaccio já é um poeta estimado pelos seus concidadãos, que o encarregam de diversas missões diplomáticas. Cerca de 1361 retira-se para Certaldo, onde se dedica menos à literatura que ao estudo, então nascente, das humanidades. Os seus últimos anos são dolorosos (a morte da sua filha, as doenças, a pobreza). Em 1373, o município florentino encomenda-lhe umas leituras públicas da Divina Comédia. Doente e ofendido pelas críticas de alguns doutos florentinos, retira-se de novo para Certaldo, onde morre aos sessenta e dois anos.

A principal criação de Boccaccio é o Decameron. Trata-se de uma colecção de cem contos narrados, para entreter, por sete donzelas e três jovens que fogem de Florença, assolada pela peste. É um conjunto de lendas, anedotas, contos e novelas de variada procedência e maravilhosamente enraizado na realidade da época. Deste fresco social, pintado com grande realismo, desprende-se toda uma arte de viver. Pela sua maestria nas descrições, pela sua penetração psicológica, pela sua arte de contar, Boccaccio é o primeiro grande narrador moderno.

Entre as suas obras menores contam-se o romance Filocolo; Fiammetta, reflexo da sua paixão amorosa por Maria d'Aquino; e Ninfale Fiosolano, fábula sobre as ninfas de Fiesole. Da sua abundante obra latina sobressaem De casibus virorum ilustrium e De claris mulieribus.