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Gian Lorenzo Bernini

(Nápoles, 1598 - Roma, 1680)

 

Arquitecto, escultor e pintor italiano. Recebe as primeiras lições artísticas do seu pai, escultor medíocre. É artista de maturidade precoce, pois com apenas vinte e um anos executa a sua escultura de David Matando Golias. Protegido pelos papas Urbano VIII e Alexandre VII, leva a cabo um grande trabalho artístico em Roma, em plena época do fervor da Contra-Reforma. Insistentemente convidado pelo rei de França, Luís XIV, apresenta-se em Paris, onde colabora no projecto do Louvre. A sua notoriedade como arquitecto e escultor faz com que se esqueça o seu trabalho como pintor, para o qual está notavelmente dotado (Martírio de S. Maurício, diversos retratos de Urbano VIII, etc.).

Em Bernini dá-se o caso curioso de, sendo a escultura a sua mais profunda paixão, trazer para a arquitectura novidades revolucionárias que se impõem e se espalham. Constrói a Igreja de Santo André do Quirinal (Roma), de planta ovalada, e acrescenta-lhe uma cúpula com figuras escultóricas no interior, procurando assim uma integração da escultura e da arquitectura. A Cátedra de S. Pedro de Roma reúne em si, pela primeira vez, várias características típicas do barroco. Trata-se de um oratório de bronze que cobre o altar; está sustentado por quatro colunas salomónicas (talhadas em espiral). Os Palácios Odescalchi e Barberini reúnem os traços essenciais do palácio barroco.

A grande obra arquitectónica de Bernini é a colunata da Praça de S. Pedro do Vaticano. A monumental basílica necessita de um padrão adequado para a recepção das peregrinações. Bernini concebe duas colunatas gigantescas que avançam para os fiéis, abraçando-os e conduzindo-os para o templo. A altura variável das colunas realça a perspectiva da cúpula de Miguel Ângelo e confere ao conjunto uma formosa ordem teatral.

Gian Lorenzo Bernini é, além de arquitecto, o principal escultor do barroco italiano. O seu trabalho inovador abarca os principais campos escultóricos do momento: o religioso, o mitológico e o sepulcral. Em todos eles aplica os caracteres do novo estilo: movimento e agitação, formas amplas, efeitos teatrais e expressão exagerada do sentimento. Do ponto de vista técnico não segue a norma renascentista de lavrar as suas peças num só bloco de mármore, mas separa-as em vários blocos que aparelha de seguida. Da sua primeira época são Apolo e Dafne e o David já citado. Diferentemente de Miguel Ângelo, que representa David de pé e concentrado, com o olhar cravado no adversário, Bernini modela o personagem em atitude violenta, no momento do lançamento da pedra. Os seus monumentos sepulcrais, de concepção alegórica e de efeito imediato, apresentam um desenvolvimento pleno do espírito da plástica barroca. Os mais notáveis são os dos papas Urbano VIII e Alexandre VII. É também autor do Baldaquino e da Cátedra de S. Pedro do Vaticano, assim como da estátua equestre de Constantino. O seu busto de Luís XIV é um modelo muito copiado pelos escultores franceses de finais do século xvii.

Mas a sua obra mais famosa, que representa o arquétipo do barroquismo escultórico, é o Êxtase de Santa Teresa. Esta obra, embora concebida como um quadro, não é desenvolvida em forma de relevo, mas de volume redondo. A santa, suspensa no espaço sobre um trono de nuvens, apresenta as roupagens volumosas e com grandes pregueados barrocos, de modo que a forma corporal não é translúcida. O seu rosto enlevado, transido de amor divino, tem os olhos fechados e a boca entreaberta, enquanto o rosto do anjo que lhe lança o dardo do amor de Deus está transbordante de vida e de alegria.