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Giacomo Leopardi

Recanati, Marcas, 1798 - Nápoles, 1837

 

Poeta italiano. De família nobre, educa-se principalmente na biblioteca familiar, onde aprende idiomas antigos e modernos e começa a escrever desde muito jovem. Cerca de 1816 passa da erudição à criação literária. Escreve poesias amorosas e patrióticas cheias de fogo. Pouco a pouco, diversos problemas íntimos e familiares inclinam-no para o pessimismo, presente em Miscelâneas. O seu singular anti-academismo condu-lo a uma recuperação do classicismo. Cerca de 1820 desemboca na verificação da impossibilidade de realizar, nos tempos que correm, uma poesia imaginativa (de criação de imagens), pelo que na sua opinião é apenas possível uma poesia sentimental. A estas reflexões teóricas correspondem as realizações poéticas daqueles anos: os primeiros idílios, um conjunto de poesias em que os objectos e as paisagens adquirem amplas ressonâncias sentimentais com predomínio da evocação e da recordação, da dor pela perda das doces esperanças e pelo passar do tempo: Canti, Idilli, Operette Morali.   

Em 1822 parte para Roma, cidade que o desilude. Volta para Recanati e continua engrossando as suas Miscelâneas. Em 1825 muda-se para Milão para preparar uma colecção editorial de clássicos. Depois vai para Bolonha, Florença, Pisa, etc. Prepara uma excelente edição do Cancioneiro de Petrarca. Entre 1828 e 1830 compõe, em Recanati, novos idílios.    

Giacomo Leopardi é um dos maiores poetas italianos. A sua obra lírica é muito extensa. Os Canti caracterizam-se por uma atitude pessimista expressa com grandeza de ânimo e uma impecável forma clássica. Na poesia de Leopardi convivem um lirismo romântico e uma visão materialista. O poeta propõe que o homem, ao verificar a fugacidade das coisas, recuse toda a solução consoladora e assuma com lucidez a sua condição.