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Galileu Galilei

Pisa, 1564 - Arcetri, Florença, 1642

 

Cientista e erudito italiano, É professor de Matemática nas Universidades de Pisa e de Pádua e, posteriormente, matemático principal da Universidade (Studio) de Pisa e filósofo ao serviço do duque Cosme II. Ao confrontar-se com os defensores da tradição aristotélica vê-se submetido a dois processos pela Inquisição. É condenado e vê-se obrigado a abjurar publicamente das suas teorias heliocêntricas. A seguir é condenado a viver isolado. Cego desde 1637, morre poucos anos depois na sua casa de Arcetri.    

Entre os seus escritos científicos há que citar Si Dereus Nuncius, Magna Longeque Admirabilia Spectacula Prodens (em que dá a conhecer importantes descobertas astronómicas), Il Saggiatore (sobre a natureza dos cometas e sobre a importância das matemáticas para a compreensão dos fenómenos naturais), Diálogo sobre os Dois Principais Sistemas: o Ptolomaico e o Copernicano (em que adere às teses heliocêntricas de Copérnico) e Discorsi e Demostrazioni, que é a sua principal obra sobre mecânica.    

A importância do pensamento de Galileu procede da elaboração do método científico, que, nascido nesta época da história do pensamento, não é criação dos racionalistas nem dos empiristas, mas de Galileu. Denomina-o hipotético-dedutivo, e nele unem-se a observação empírica e a demonstração racional. Galileu introduz as matemáticas na investigação física, graças ao que se podem confirmar as teorias heliocêntricas de Copérnico. O seu grande mérito é abrir o caminho para a ciência newtoniana e para a autonomia da investigação científica moderna.    

Homem de génio vário, interessa-se também pela literatura, sobretudo nos seus anos de juventude. Intervém nas polémicas literárias do seu tempo manifestando-se partidário de Torquato Tasso perante Ludovico Ariosto (Considerazioni sobre Tasso, Postilli a Ariosto). Escreve também alguns estudos sobre Dante.    

A sua prosa, rica e expressiva, clara e inimiga da retórica, inaugura, com o seu rigor dialéctico e a sua sábia ironia, a nova tradição da prosa científica, desenvolvida durante os séculos xvii e xviii. Estas contribuições são especialmente patentes em Il Saggiatore e no Diálogo.