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Friedrich
Hölderlin
Lauffen,
Württemberg, 1770 - Tubinga, 1843
Poeta
alemão. Preceptor de profissão, em Tubinga e em
Jena conhece e priva com Schelling, Hegel, Goethe, Schiller e Herder, cujas
influências assimila. Apaixona-se pela mãe de um seu aluno, a quem
idealiza no seu romance Hyperion
com o nome de Diotima. Quando da morte desta, a sua razão perturba-se e,
aos trinta e dois anos, enlouquece definitivamente. Vive ainda trinta e sete
anos num estado de loucura benigna ao cuidado de um lenhador, a escrever
versos que assina com o nome de Scardanelli.
A
obra de Hölderlin é muito pequena. Compreende uma tragédia inacabada, Tod
des Empedokles (A Morte de Empédocles), o romance epistolar Hyperion ou O Eremita da Grécia e, sobretudo, as suas poesias, que
lhe dão fama.
A
sua reflexão lírica condu-lo a uma exaltação do sagrado, representado em
O Arquipélago, poema de
extraordinária beleza. Os seus primeiros poemas são hinos, à maneira de
Schiller, que cantam os grandes ideais da humanidade. Posteriormente
aproxima-se da poesia clássica antiga nas suas reflexões sobre a natureza (Ao
Deus do Sol, Fantasia da Tarde). Através de referências mitológicas
tenta concretizar experiências pertencentes ao presente (Natureza
e Arte ou Saturno e Júpiter, Ganimedes). Nas odes desenha-se a sua
consciência da própria grandeza trágica (Às
Parcas, Canto do Destino de Hyperion). Há poemas, como Pão
e Vinho, que estão dirigidos à nação alemã e são uma reflexão
sobre a relação histórica entre Oriente e Ocidente, a sabedoria pagã e a
verdade cristã. Posteriormente escreve uma série de hinos em que a Festa,
a Redenção ou a Ressurreição estão ligadas às figuras simbólicas de
Napoleão, de Cristo, da Águia de S. João, do Poeta... Os seus últimos
poemas, de alta qualidade poética, vão-se tornando indecifráveis e
inconexos, como nascidos de uma mente doente e nas trevas. |