Franz KafkaPraga, 1883 - idem, 1924
Escritor checo em língua alemã. É um dos romancistas mais singulares do século xx. A sua obra está marcada por uma ruptura interior alimentada pela sua confusa identidade: de origem judaica, vive no fervor nacionalista centro-europeu e escreve em alemão. Por decisão do pai, com quem mantinha relações conflituosas, estuda Direito e trabalha ao longo de quase toda a sua vida numa companhia de seguros. Mas a sua complexa natureza não se adapta a esta rotina e dedica todo o tempo livre à obra literária. Mantém vários amores difíceis, dos quais há abundante informação nos seus diários e cartas. Doente de tuberculose, morre aos quarenta e um anos depois de ordenar a Max Brod, seu testamenteiro literário, que queime os seus manuscritos (coisa que este não faz). Um dos seus primeiros livros é Um Médico da Aldeia, série de relatos que apresentam um universo angustiado, entre o sentimento e a decadência física e o peso da obra que ainda lhe fica por escrever. O Castelo é uma obra de plena maturidade. Em termos gerais, ao longo de toda a sua obra Kafka entrega-se à exploração do seu universo interior. A Metamorfose, O Processo, A Colónia Penitenciária, o Diário Íntimo e a Correspondência são os seus melhores escritos. Deixa várias obras inacabadas. Quanto à técnica narrativa, na obra de Kafka o narrador confunde-se exactamente com a sua pessoa, isto é, praticamente desaparece. O romancista não domina o mundo que descreve, mas que o padece; isto explica a ausência de uma dimensão moral ou política na sua obra. |