| Fra Angélico
(Vicchio, Toscana, 1387? - Roma, 1455)
Supõe-se que, no início, é discípulo de Lorenzo Monaco, cultivador do estilo gótico internacional. Parte deste ponto e acrescenta à sua linguagem pictórica as contribuições de Masaccio, enriquecidas com um achado genial: o uso da luz com uma intenção não naturalista mas estética e expressa através de um uso inteligente da cor. A sua pintura é essencialmente religiosa e está dominada por um espírito contemplativo. De facto, concebe a pintura como uma espécie de oração. Os seus temas mais frequentes e característicos são a Virgem com o Menino, a coroação da Virgem e a Anunciação. Nas suas representações do paraíso pinta com dedicação e amor franciscanos as flores e ervas dos prados por onde caminham os escolhidos. Uma das suas obras de mais substância é A Descida, em que se presta mais atenção à veneração e amor dos santos que ao sofrimento de Cristo. Do ponto de vista técnico, Fra Angélico parte do gosto preciosista e delicado do
gótico internacional, enriquecido com o interesse pela perspectiva característico da
época. Insiste mais na linha que na cor. Pelos seus temas, pelo seu tratamento da
natureza, pela sua incorporação da arquitectura, é inequivocamente renascentista. Pinta
frequentemente em colaboração com os seus discípulos. A maior parte das suas obras
conservam-se no claustro, nas celas e nas salas do Convento de S. Marcos (Florença), que
estão cobertos de murais de Fra Angélico com cenas e figuras religiosas (Dois
Dominicanos Atendendo Jesus Peregrino, S. Pedro Mártir). De entre os frescos da
capela do papa Nicolau V, no Vaticano, destacam-se A Lenda da Santo Estêvão e A
Lenda de S. Lourenço. |