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David Herbert Lawrence

Eastwood, Nottinghamshire, 1885 - Vence, 1930

 

Escritor inglês. De família modesta, à morte do irmão mais velho converte-se no centro emocional da vida de sua mãe, que lhe dedica um amor exigente e possessivo (o que se reflecte no seu romance Filhos e Amantes). Passa pela Universidade de Nottingham, onde se prepara para o ensino. De facto, começa a trabalhar como professor, mas abandona esta profissão pela literatura. Em 1912 conhece a sua futura companheira, a alemã Frieda von Richtofen, com quem viaja pela Alemanha, Áustria e Itália. De volta a Inglaterra, de postura pacifista condena energicamente a Primeira Guerra Mundial. A sua fama de rebelde cresce ao ser proibido por obscenidade o seu romance O Arco-Íris. Homem inquieto, em busca do lugar ideal para viver, viaja pela Itália, Austrália, México e França, onde morre tuberculoso aos quarenta e cinco anos.  

Além das obras já mencionadas há que citar Mulheres Apaixonadas, curiosa mescla de simbolismo e realismo psicológico. Em O Arco-Íris explora as relações entre os sexos, a influência da condição social nas relações amorosas e o contraste entre instinto e intelecto. Nos seus últimos romances, de valor artístico desigual, trata temas como o predomínio no casal e a sociedade e afirmação do eu.  

O romance mais conhecido —e mais meritório— de Lawrence é O Amante de Lady Chatterley (John Thomas e Lady Jane). O seu argumento é como se descreve. Connie Chatterley está casada com um aristocrata, sir Clifford, que por causa de uma ferida de guerra está paralisado da cintura para baixo. Esta impotência sexual é, ao mesmo tempo, metáfora da esterilidade espiritual da sua cultura. Connie, que deseja ser mãe, vive amargurada no mundo do seu marido, que considera falho de autenticidade. O seu instinto vital empurra-a para Mellor, o guarda florestal, homem sensível e de inteligência equilibrada. Entre ambos acende-se uma viva paixão em que a sensualidade, livre do espartilho das convenções sociais, se apresenta como via principal da regeneração intelectual. Connie, ao descobrir que está grávida, abandona o marido e renuncia às comodidades da sua posição social para ir viver com Mellor. O realismo com que Lawrence trata as questões do sexo e as suas vinculações com as questões da classe social provoca na Grã-Bretanha um escândalo extraordinário, ao ponto de a obra não poder publicar-se na íntegra em Inglaterra até 1960 (a primeira edição é de 1928).