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VARANDA - Sobre o tempo e o vasto mundo

 

Conde D. Henrique

? - Astorga, 1112

 

Pai de D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal. Quarto filho de Henrique de Borgonha, bisneto de Roberto I de França, sobrinho da rainha Constança de Leão, sobrinho-neto de Santo Hugo, abade de Cluny e irmão dos duques Hugo e Eudes. Escolhe a carreira militar que segue na Península Ibérica ao serviço de Afonso VI de Leão. É cruzado, combatendo os Mouros no Sul da Península. Graças ao prestígio que granjeia e quando Afonso VI se sente ameaçado na fronteira ocidental do reino pelos Almorávidas, seita político-religiosa oriunda do rio Níger, na África Ocidental, o rei leonês, porque o considera um chefe militar experimentado, concede-lhe a mão da sua filha ilegítima Teresa (a mãe desta era Ximena Nunes) e entrega-lhe o governo dos antigos condados de Portucale e Coimbra, até aí unidos à Galiza e administrados pelo seu primo Raimundo. D. Henrique procura as simpatias da nobreza, concedendo importantes imunidades às famílias mais poderosas, escolhendo-as como componentes da sua corte em Guimarães; controla os núcleos urbanos e mercantis; fortalece e desenvolve as comunidades rurais, servindo-se da cavalaria vilã e do povoamento dessas zonas para deter o avanço dos islâmicos; desenvolve uma política eclesiástica que contribui para a criação de uma verdadeira comunidade, irmanada nos mesmos interesses; consegue mesmo reforçar o poder do bispo de Braga em prejuízo do de Santiago de Compostela, obtendo o estatuto de sé metropolitana para a igreja bracarense, acompanhando mesmo, entre 1101 e 1103, o arcebispo S. Geraldo a Roma para defender os interesses de Braga. Nas disputas pela sucessão de D. Afonso VI tira vantagem das lutas entre os vários partidos, ora aliando-se a uns ora a outros, tirando sempre vantagens territoriais e materiais, procurando sempre, com a sua política, a autonomia do seu condado, e acabando por se intitular «Henricus Dei gratia comes et totjus Portugalensie dominus»; ou seja, intitulou-se conde e senhor de todo o Portugal. Os últimos anos da sua vida são passados a combater os Mouros (nomeadamente em Sintra) e a intervir na sucessão do seu sogro. Pouco depois de fazer a paz com D. Urraca em Astorga (que, entretanto, faz aclamar o seu filho, juntamente com ela, como rei Afonso VII, herdeiro do avô), acaba por morrer.