Charles DickensLandport,
Portsmouth, 1812 - Gadshill, Rochester, 1870 Escritor inglês. De família
modesta, ao ser o seu pai encarcerado por dívidas, vê-se obrigado, sendo
criança, a trabalhar numa fábrica de betume. Após estudos mínimos,
trabalha como ajudante num escritório de advogados. Logo de seguida é
cronista parlamentar e redactor de jornais humorísticos, até que, com The
Pickwick Papers, aos vinte e seis anos, se torna de repente num autor
de sucesso. Os seus romances posteriores, publicados em forma de folhetim
mensal, conhecem grande êxito. Autodidacta na sua adolescência,
redime-se de tantas misérias e dedica a sua vida, com êxito, à
literatura e jornalismo. Publica quase a totalidade da sua amplíssima
obra em fascículos, procedimento usual na época. Nos seus romances Dickens denuncia
frequentemente o poder político e os ricos vaidosos e especuladores. Nele
o pensamento idealista e o romance sentimental unem-se para comover a
sensibilidade do leitor e despertar a sua consciência moral. O realismo
de Dickens não é sombrio e negativo, mas amável e sorridente, cheio de
humor. Os seus melhores relatos têm por heróis crianças e tipos
extravagantes. A sua obra mais apreciada é The Pickwick Papers, romance imediata e popularmente admirado. Esta obra-prima do humor e da ternura apresenta o Sr. Pickwick, sábio distraído que viaja por Inglaterra. Dickens é um mestre das narrativas protagonizadas por crianças (David Copperfield, Tempos Difíceis, Oliver Twist). Nelas reflecte a sua própria infância infeliz, com o que a narrativa alcança o vigor e o colorido do autobiográfico. Fustiga com insistência uma sociedade insensível ao abandono das crianças e aos sofrimentos dos indigentes. |