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Carlos V

(Gante, 1500 - Yuste, 1558)

 

Imperador da Alemanha e rei de Aragão e Castela. Primogénito de Filipe, o Formoso, de Áustria, é, por parte do pai, neto do imperador Maximiliano I. Por parte da mãe, Joana, a Louca, é neto dos Reis Católicos. Do pai herda os Países Baixos e o Franco Condado. Em 1516, por morte de seu avô, Fernando, herda as coroas de Aragão e Castela. Em 1519 é eleito imperador da Alemanha como sucessor de seu avô, Maximiliano, tornando-se, com vinte anos, soberano de um império mais vasto do que qualquer outro desde os tempos de Carlos Magno.  

Em 1522, desencadeia-se a primeira das quatro guerras que sustenta com França, que vem a terminar com o Tratado de Madrid, em 1526. Nesse ano, casa com D. Isabel, filha do rei D. Manuel I, de Portugal. Francisco I, de França, e o papa Clemente VII coligam-se contra Carlos V e, em 1527, a guerra recomeça. O exército imperial toma Roma, faz o papa prisioneiro e submete os príncipes da Igreja e os cidadãos romanos a todo o tipo de humilhações. Este acontecimento provoca o horror de toda a Europa, levando Henrique VIII de Inglaterra a aliar-se à coligação contra o imperador. A paz é restabelecida em 1529 pelo Tratado de Cambrai, assegurando o império o domínio de Itália e dos Países Baixos. Em 1535 obtém grande prestígio pessoal: vence o pirata Barba Roxa e conquista Tunes com um exército que comanda pessoalmente. Em 1536, invade a França e põe cerco a Marselha, mas é depois forçado a retirar com pesadas baixas e a negociar tréguas. A paz é de novo interrompida em 1542 e, em 1544, os Franceses obtêm uma vitória decisiva na Batalha de Cerisoles, sendo assinada a Paz de Crépy. Carlos V e Francisco I de França põem-se então de acordo para combater o protestantismo que alastra por toda a Europa. Em 1547, o imperador derrota a Liga de Smalkalda, formada pelos príncipes protestantes alemães, na Batalha de Mühlberg, submetendo os adversários religiosos a uma pesada repressão. Entretanto, em França, Henrique II sobe ao trono e alia-se a Maurício da Saxónia  contra Carlos V. Um poderoso exército obriga o imperador a, após algumas derrotas militares, assinar o Tratado de Passau, favorável à igreja protestante, pelo qual Carlos V vê destruídos muitos anos de luta.  

Em 1555, o imperador, minado pela doença e pelo desânimo, abdica dos tronos de Castela, Aragão e Países Baixos  a favor de seu filho Filipe, entregando a coroa imperial a seu irmão Fernando. Retira-se para o Mosteiro de Yuste (Cáceres), onde vem a morrer três anos depois.