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CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
Escritor: 1902 - 1987
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QUANDO TUDO ACONTECEU... 1902, 31 de outubro: Carlos Drummond de Andrade nasce em Itabira do Mato Dentro, Estado de Minas Gerais, filho do casal fazendeiro Carlos de Paula Andrade e Julieta Augusta Drummond de Andrade. - 1910: Aluno do grupo escolar, em Itabira. - 1916: Interno no tradicional Colégio Arnaldo, de Belo Horizonte. - 1918: Vai para Friburgo, estudar no Colégio Anchieta, dos jesuítas, onde colabora no jornal Aurora Colegial. - 1920: Muda-se para Belo Horizonte. - 1921: Publicações no jornal Diário de Minas. Freqüenta a Livraria Alves e o Café Estrela, pontos de encontro de escritores em Belo Horizonte. - 1924: Inicia correspondência com o poeta Manuel Bandeira. Conhece Blaise Cendrars, Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Mário de Andrade e começa a corresponder-se com este. - 1925: Casa-se com Dolores Dutra de Morais. É um dos fundadores de A Revista, publicação modernista. Forma-se farmacêutico. - 1926: Redator do Diário de Minas. - 1927: Nasce, a 21 de março, seu primogênito, Carlos Flávio, que vive apenas meia hora. - 1928: Nasce, a 4 de março, sua filha Maria Julieta. - 1930: Publica Alguma Poesia. Com a Revolução, torna-se oficial de gabinete do amigo Gustavo Capanema, Secretário do Interior. - 1934: Publica Brejo das Almas. Transfere-se para o Rio de Janeiro, como chefe de gabinete do Ministro da Educação e Saúde Pública. - 1940: Publica Sentimento do Mundo. - 1942: A Editora José Olympio lança seu livro Poesias. - 1944: Publica Confissões de Minas. - 1945: Saem A Rosa do Povo e O gerente. É chamado por Rodrigo M. F. de Andrade para trabalhar na Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. - 1947: Publica Poesia até agora. - 1951: Publica Claro enigma, Contos de Aprendiz, A mesa. - 1952: Saem Passeios na ilha e Viola de bolso. - 1954: Lança Fazendeiro do ar & Poesia até agora. Começa a colaborar no jornal Correio da Manhã. - 1955: Sai Viola de bolso novamente encordoada. - 1956: Lança os 50 Poemas escolhidos pelo autor. - 1957: Fala, amendoeira e Ciclo são publicados. - 1962: Saem Lição de coisas, Antologia Poética, A bolsa & a vida. Aposenta-se. - 1963: Prêmios :Fernando Chinaglia, da União Brasileira de Escritores e Luísa Cláudio de Souza, do PEN Clube do Brasil, pelo livro Lição de coisas. - 1964: A Editora Aguilar publica sua Obra completa. - 1965: Publica, em colaboração com Manuel Bandeira, Rio de Janeiro em prosa & verso. - 1966: Publicação de Cadeira de balanço, Versiprosa, José e Outros, da antologia Minas Gerais, na Coleção Brasil, Terra e Alma. - 1968: Boitempo e a falta que ama. Início da colaboração no Jornal do Brasil. É publicado o volume Reunião (10 livros de poesia). - 1971: Sai Caminhos de João Brandão. - 1971: Lançada a Seleta em prosa e verso. - 1972: Sai O poder ultrajovem. Por ocasião do seu 70o aniversário, vários jornais brasileiros publicam suplementos comemorativos. - 1973: Impurezas do branco, Menino antigo (BoitempoII ). Prêmio de Poesia da Associação Paulista de Críticos Literários. - 1975: Lançamento de Amor, amores. - 1977: Saem A visita, Discurso de primavera e algumas sombras e Os dias lindos. do mundo. - 1978: 2a edição, corrigida e aumentada, de Discurso de primavera e algumas sombras. Publicação de 70 historinhas e O marginal Clorindo Gato. - 1979: Esquecer para lembrar (Boitempo III ). - 1980: Lançamento de A paixão medida, em edição de luxo. - 1981: Publica Contos plausíveis em edição de luxo e, com ilustrações de Ziraldo, O pipoqueiro da esquina. - 1982: Por ocasião dos 80 anos do escritor, são realizadas exposições comemorativas. Recebe o título de doutor honoris causa pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Publica A lição do amigo - Cartas de Mário de Andrade a Carlos Drummond de Andrade, com notas do destinatário. - 1983: Publica Nova reunião (19 livros de poesia ) e O Elefante (infantil ). - 1984: Assina contrato com a Editora Record. Despede-se do Jornal do Brasil, com a crônica “Ciao”. Saem Boca de Luar e Corpo. - 1985: Publica Amar se aprende amando, O observador no escritório (memórias ), História de dois amores (infantil ) e Amor, sinal estranho. - 1986: Publica Tempo, vida, poesia. Escreve poemas para a edição comemorativa do centenário do poeta Manuel Bandeira. - 1987: Sua filha Maria Julieta falece, a 5 de agosto. Drummond morre a 17 do mesmo mês, deixando então inéditos O avesso das coisas, Moça deitada na grama, Poesia errante (Viola de bolso III), O amor natural, Farewell, e Arte em exposição, além de crônicas, dedicatórias em verso por ele coletadas, correspondência e um texto para espetáculo musical ainda sem título.
“Mas o curioso na obra de Drummond, espírito aberto a todas as inovações formais do modernismo (até os nossos dias), é que a norma lingüística não é jamais violentada na sua natureza. O poeta se move dentro da língua portuguesa. Conhece-lhe os ângulos e a elasticidade vernácula.” Gilberto
Mendonça Teles “Por todos esses significados da
simplicidade drummondiana, seus parentes mais próximos não são outros
poetas, mas os romancistas Graciliano Ramos e Clarice Lispector. Existe
nele e nela um cultivo inimitável da língua portuguesa (tal como falada
coloquialmente por todos nós) como matéria
para um estilo clássico literário brasileiro (tomamos aqui a palavra
clássico como oposta aos
exageros e rompantes dos escritores românticos
que, acreditam, podem inventar seu próprio léxico
individualizado, como é o caso de Guimarães Rosa). O estilo clássico
literário, na modernidade, é o compromisso ético com o dicionário e a
gramática. Dicionário e gramática, tomados na sua simplicidade de norma
de valor cidadão. Mais limpa e precisa, mais nítida e útil a língua
coloquial portuguesa, mais contundente seu manuseio pelos que dela
necessitam para exprimir seus anseios de igualdade e justiça.” Silviano
Santiago “Como uma poesia que tematiza com insistência
e sabedoria a vida provinciana na Itabira do Mato Dentro pode oferecer-se
de maneira tão cosmopolita a seu leitor, passando-lhe a impressão de que
o poeta é un homme du monde,
nascido do século de Voltaire e Rousseau? Como um homem tão pouco
viajado (...) pode ter escrito, desde os primeiros livros publicados em
Belo Horizonte, uma poesia tão audaciosa e rigorosamente cosmopolita?
Como um profissional que desde cedo se definiu pela quase imobilidade da
carreira de funcionário público pode dar lição tão rica e tão ampla
de geografia e de história universais?” Silviano Santiago
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OS ANOS DE FORMAÇÃO |
Por insubordinação mental, Drummond é expulso do colégio dos jesuítas. Entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo? Consulta a Tábua Cronológica. |
Carlos nasce em Itabira, Minas Gerais,
em 1902, filho de pais burgueses, que o criam no temor de Deus. Saído do
grupo escolar, o menino itabirano toma partido, na 1a Guerra
Mundial - um conflito europeu - pelo lado alemão (o que, depois,
deplora...); conhece os padres alemães da congregação do Verbo Divino,
em sua passagem pelo tradicional
Colégio Arnaldo. Dois anos em Friburgo, no Colégio Anchieta, dos jesuítas.
Primeiro aluno, comporta-se usualmente como um anjo, mas expulsam-no por
insubordinação mental por conta de um conflito com um professor. |
| PROVÍNCIA, MINHA SOMBRA | |
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Casado com Dolores Dutra de Morais,
Drummond vai lecionar em Itabira, mas logo está de volta a Belo
Horizonte, como redator de jornais e burocrata. De repente, a vida começa
a impor-se, a desafiá-lo com seus pontos de interrogação que,
desmanchando-se, dão lugar, todavia, a novos questionamentos... Estréia em livro em 1930, com Alguma
Poesia. Segue-lhe Brejo das almas, publicado em 1934. Uma
curiosidade (acaso ?): o título deste segundo livro é o
antigo nome de uma cidade mineira, que
depois se chamaria Conselheiro Lafayette, nome da rua em que Drummond residirá
depois, no Rio de Janeiro. Alguns anos mais tarde, em Viola de
bolso II, assim resumirá, num poema, sua biografia: Dados biográficos
Mas que dizer do poeta Numa prova escolar? Que ele é meio pateta E não sabe rimar ? Que veio de Itabira, Terra longe e ferrosa ? E que seu verso vira, De vez em quando, prosa ? Que é magro, calvo, sério (na aparência ) e calado, com algo de minério não de todo britado? Que encontrou no caminho Uma pedra e, estacando, Muito riso escarninho O foi logo cercando? Que apesar dos pesares Conserva o bom-humor Caça nuvens nos ares, Crê no bem e no amor ? Mas que dizer do poeta Numa prova escolar Em linguagem discreta Que lhe saiba agradar? (1)
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RIO DE MUITOS JANEIROS |
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Gustavo Capanema, ministro da Educação
e Saúde no governo Vargas, convida Drummond, no final de 1934, para
chefiar seu gabinete, no Rio de Janeiro, então capital federal: aos 32
anos, o poeta muda-se de Minas Gerais para sempre. Inicialmente reside, com a mulher e a
filha, perto do Túnel Novo, em Copacabana, numa casa da avenida Princesa
Isabel. Depois, no posto 6,
numa casa situada à rua Joaquim Nabuco, 81. Por fim, o casal
vai residir no apartamento 701 da rua Conselheiro Lafayette, 60. Início da década de 40, o Brasil sob o
Estado Novo e boa parte do mundo sob a 2a guerra: Drummond começa
a ser considerado não
somente o maior poeta nacional mas
também uma espécie de símbolo
da resistência cultural brasileira
à ditadura.
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UM POETA RODEADO DE FICHÁRIOS POR TODOS OS LADOS |
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Drummond é um enigma mas cultiva o senso de humor. Entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo? Consulta a Tábua Cronológica.
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Consagrado como escritor, aposentado do
serviço público, Drummond mantém colaboração na imprensa e, na vida
particular, é de um senso notável de
organização, que remonta a seu tempo
no funcionalismo. Sua base de operações fica no escritório
de sua residência, em um quarto no final de um apertado corredor.
Obcecado com a organização dos papéis e dos objetos, cerca-se de
arquivos por todos os lados. De lá, saem as crônicas, poemas e contos
que o fazem o mais celebrado dos escritores contemporâneos brasileiros.
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UM MITO NACIONAL |
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Morre Drummond em 1987. Entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo? Consulta a Tábua Cronológica. |
Em 1982, Drummond completa 80 anos.
Poucos são os poetas brasileiros igualmente longevos. Nenhum mais
festejado. Pedro Nava, seu companheiro de geração, e poeta bissexto, o
saúda: ”O nosso poeta Drummond foi e é
senhor de escolher os seus caminhos”. Entrevistas, edições especiais de
suplementos, nada falta à glória do octogenário. Entretanto, algumas perdas o abatem
bastante. Como a do próprio Nava e, sobretudo, a da filha única, Maria
Julieta, que falece a 5 de agosto de 1987.
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| DRUMMOND, MINI-ANTOLOGIA | |
E agora José? – pergunta Drummond. Entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo? Consulta a Tábua Cronológica.
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No meio do caminho tinha uma pedra No meio do caminho tinha uma pedra José
E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora José? e agora, você? você que é sem nome, que zomba dos outros, você que faz versos, que ama, protesta? e agora, José? Está sem mulher, está sem discurso, está sem carinho, já não pode beber, já não pode fumar, cuspir já não pode, a noite esfriou, o dia não veio, o riso não veio, não veio a utopia e tudo acabou e tudo fugiu e tudo mofou, e agora José? (...)
* * *
Legado Que lembrança darei ao país que me deu tudo que lembro e sei, tudo quanto
senti? Na noite do sem-fim, breve o tempo
esqueceu minha incerta medalha, e a meu nome se
ri. E mereço esperar mais do que os outros,
eu? Tu não me enganas, mundo, e não te
engano a ti. Esses monstros atuais, não os cativa
Orfeu, a vagar, taciturno, entre o talvez e o
se. Não deixarei de mim nenhum canto
radioso, uma voz matinal palpitando na bruma e que arranque de alguém o mais secreto
espinho. De tudo quanto foi meu passo caprichoso na vida, restará, pois o resto se
esfuma, uma
pedra que havia em meio do caminho. *
* * Entrevista solta
Qual
a mais bela palavra da língua portuguesa? Quando
os dois querem, verificam que estão de acordo, e detestam-se em paz.
* * * Canção amiga
Eu
preparo uma canção * * * Ainda que mal
Ainda que mal pergunte,
* * * Sou o Velho Cansado
Sou
o Velho Cansado _____________________ |