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CARAMURU
Descobridor DIOGO ÁLVARES CORREIA:
Viana do Castelo, 1476 – Bahia, 1557
Diogo Álvares Correia
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QUANDO TUDO ACONTECEU... 1476: DIOGO ÁLVARES CORREIA nasce em Viana do Castelo (cidade junto à foz do rio Lima, norte de Portugal). Cerca de 1509: O navio em que segue Diogo naufraga frente ao Rio Vermelho, na Bahia de Todos os Santos (Terra de Vera Cruz). Os índios Tupinambá dão-lhe a alcunha de CARAMURU (moreia). 1510: Ao abater uma ave a tiro, Diogo ganha o cognome de FILHO DO TROVÃO, 1611: Amores com Paraguaçu e Moema. 1526/1528: Diogo e Paraguaçu em França; ali, ela é baptizada com o nome de Catarina..1543: Tomé de Sousa arriba á Bahia de Todos os Santos. 1549: É fundada a cidade de Salvador da Bahia cuja arquitectura lembra a das cidades de Lisboa e Porto. 1557: Morre, na Bahia, Diogo Álvares Correia. 1583: Ano provável da morte de Paraguaçu.
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PAU-BRASIL |
Pau-brasil
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Na Mata Atlântica da Terra de Vera Cruz, desde o Rio Grande do Norte até ao norte do Estado de S. Paulo, há uma árvore dominante. Tem uns 30 metros de altura e os botânicos dão-lhe o nome de caeselpnie echinata, Mas os portugueses preferem chamá-la pau-brasil porque ela tem uma resina que funciona como corante, todos os tecidos são por ela puxados para o vermelho tom de brasa. Essa resina, que também pode transformar-se em tinta de escrever, chama-se brasileína. Simplificando: brasil, nome futuro de Terra de Vera Cruz. Antes da descoberta e ocupação da Terra de Vera Cruz pelos portugueses, a caeselpnie echinata já era conhecida na Europa, porque os árabes iam comprá-la no Ceilão, em Sumatra, na Indonésia, para depois vendê-la no Velho Continente a preços fabulosos que a distância percorrida exigia.
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NAUFRÁGIO, CARAMURU |
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Diogo Álvares Correia nasceu em 1476
em Viana do Castelo, cidade junto à foz rio Lima, no norte de Portugal.
Desde a adolescência que lhe apetece o além, a aventura. Mas já tem cerca de
33 anos quando consegue ser engajado numa expedição à Terra de Vera Cruz.
Por azar, o navio naufraga frente ao Rio Vermelho, na Bahia de Todos os
Santos. A maior parte dos tripulantes morre afogada. Os que, a nadar,
conseguem chegar a terra, são abatidos, esquartejados, assados e comidos
pelos índios Tupinambá. |
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FILHO DO TROVÃO |
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Diogo não tenta fugir nem recusa qualquer comida com que tentam empanturrá-lo. Mas, ao mesmo tempo, vigia o que, do naufrágio, o mar vai atirando a praia. Por isso, sem dar nas vistas, recolhe um mosquete, algumas munições e um pequeno barril de pólvora. Deixa que tudo seque ao sol. Quando todo o material já está em condições, Diogo dispara um tiro certeiro e abate um pássaro que voava sobre a sua cabeça. Os índios ficam espantados com o estrondo e a pontaria e dão um novo nome a Diogo, FILHO DO TROVÃO, Aterrorizado, o próprio cacique Taparica ajoelha-se em reverência, submissão a um súbito deus que fora humilhado com o nome CARAMURU.
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PARAGUAÇU E MOEMA |
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Moema, tela de Vitor Meirelles
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Taparica entrega a Diogo a sua filha
Paraguaçu, índia esbelta. Mas Diogo tem debaixo de olho Moema, irmã da
primeira e tão graciosa uma quanto a outra. Como a poligamia é rotina entre
os índios, Diogo ora dorme com Paraguaçu, ora dorme com Moema, às vezes com
as duas ao mesmo tempo, Paraísos tropicais...
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FRANÇA |
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| Paraguaçu é baptizada com o nome CATARINA. Entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo. Consulta a Tábua Cronológica. | Diogo assume-se como intermediário entre
corsários franceses que pretendem carregar as suas naus com pau-brasil, e os
índios Tupinambá. Convence estes a fazer negócio, aceitando como pagamento
facões, machados, espelhos e panos. Em 1526 Diogo e Paraguaçu embarcam numa dessas naus, rumo a França. Atormentada pelos ciúmes, Moema tenta alcançá-los a nado, mas perde o fôlego e morre afogada. Em França, em Saint Malo, Paraguaçu é baptizada com o nome de Catarina, (Catherine du Brésil). E logo a seguir, de acordo com o ritual católico, tratam de casá-la com Diogo Álvares Correia. O casal regressa em 1528 à Terra de Vera Cruz, que já vai sendo chamada de Brasil. Paraguaçu dá à luz e cria quatro filhas e três filhos. As raparigas acabarão por casar com dignatários portugueses e os rapazes serão armados cavaleiros pelo 1.º governador-geral do Brasil. Paraguaçu morre com mais de 80 anos. Na sua campa pode ler-se, escrito a cinzel: Sepultura de Dona Catarina Álvares Paraguaçu, Senhora que foi desta Capitania da Bahia, a qual ela e o seu marido Diogo Álvares Correia, natural de Viana, deram aos senhores Reis de Portugal. Edificou esta capela de Nossa Sra. da Graça e deu-a com as terras anexas ao Patriarca de São Bento no ano de 1582. |
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TOMÉ DE SOUSA |
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Chegada de Tomé de Sousa à Bahia.
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Em 1543 arriba à Bahia de Todos os Santos
frota de seis navios e cerca de mil homens comandados por Tomé de Sousa.
Este vai ser o 1.º governador-geral do Brasil. Em Lisboa são muito
comentadas as aventuras de Caramuru, depois Filho do Trovão. Por isso D.
João III envia-lhe a seguinte carta: Diogo Álvares. Eu, El-Rei, vos envio muito saudar. Eu ora mando Tomé de Sousa, fidalgo da minha Casa, a essa Bahia de Todos os Santos. E porque sou informado pela muita prática que tendes dessas terras e da gente e costumes delas o sabereis bem ajudar e conciliar, vos mando que, tanto o dito Tomé de Sousa lá chegar, vos vades para ele e o ajudeis no que lhe deveis cumprir e vos encarregar, porque fazeis nisso muito serviço. Sendo necessária vossa companhia e ajuda, encomendo-vos que ajudeis no que virdes que cumpre, como creio que o fareis. Rei. Estreita colaboração e amizade entre Diogo Álvares e Tomé de Sousa e, por ambos, em 1549 é fundada a cidade de Salvador da Bahia, que virá a ser a capital do Brasil até 1763, A arquitectura desta cidade brasileira lembra a das cidades de Lisboa e Porto, saudades que perduram. Em 1557 morre, na Bahia, Diogo Álvares Correia. Vida plena! |