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Bakunine, Mickhail

(Prjamuchino, Kalinia, 1814-Berna, 1876)

 

Pensador e anarquista russo (Prjamuchino, Kalinia, 1814-Berna, 1876). Oriundo de uma família de proprietários de terras de ideias liberais, estuda na escola de artilharia de Sampetersburgo. Aos vinte e um anos abandona o exército e muda-se para Moscovo, onde estuda a filosofia de Fichte e de Hegel. Em 1840 vai para Berlim, onde, em contacto com a esquerda hegeliana e influenciado por Feuerbach, forja as bases do seu pensamento revolucionário. Entre 1842 e 1849 viaja pela Suíça, Bélgica e Alemanha e conhece Proudhon, Marx e os principais revolucionários do momento. Vive a Revolução de 1848 em Paris, Praga e Dresden. Preso em Dresden em 1849, é condenado à morte, se bem que as autoridades saxónicas o entreguem às austríacas, e estas às russas (1851), que o encarceram durante sete anos. Desta época data a sua carta ao csar Nicolau I sobre a revolução. Deportado para a Sibéria (1857), casa-se ali, para de imediato fugir por Vladivostoque para o Japão e para os Estados Unidos, chegando a Londres em 1860. Bakunine naquela altura acredita que o irredentismo eslavo contra a hegemonia da Rússia pode ser o fermento da revolução. Mas após o fracasso da insurreição polaca, considera que o protagonista da revolução tem que ser o proletariado operário. Após uma estada em Itália, onde deixa a sua marca revolucionária no incipiente movimento operário, muda-se para a Suíça, onde assiste ao primeiro congresso da Liga pela Paz e a Liberdade (1867), patrocinada por Victor Hugo, John Stuart Mill, Louis Blanc e Garibaldi, entre outros. No segundo congresso (Berna, 1868) verifica a incompatibilidade do seu programa com o da Liga e forma a Aliança da Democracia Socialista, que adere à Primeira Internacional. Os principais pontos do programa são: destruição dos estados nacionais, substituídos por federações de livres associações agrícolas e industriais, abolição das classes, igualdade dos sexos, abolição da herança e organização dos operários livre dos partidos políticos. Polariza a oposição a Marx no seio da Primeira Internacional; diverge de Marx no que se refere à criação de um partido operário e ao papel revolucionário do proletariado industrial. No quinto congresso da Internacional (Haia, 1872), os bakuninistas são expulsos da organização e iniciam os seus próprios congressos. Em 1874, após o fracasso da Insurreição de Bolonha, retira-se da vida política.

Entre as suas obras sobressaem Chamada de Um Patriota Russo para os Eslavos; Catecismo Revolucionário; Federalismo, Socialismo, Antiteologismo; Política e Anarquia e Deus e o Estado. Grande parte do movimento anarquista tem como ponto de partida a ideologia de Bakunine. Para ele, a sociedade é um facto espontâneo, enquanto o Estado é artificial e opressor. Mostra uma fé constante na natureza social do homem e nos laços de sociabilidade e dedica os seus esforços à destruição da sociedade burguesa. O seu conceito da liberdade do homem é alheio a qualquer individualismo, e tem grande fé nas possibilidades de organização espontânea da futura sociedade.