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Averróis

(Córdova, 1126 - Marrocos, 1198)

Médico e filósofo hispano-árabe. Membro de uma família de juristas, estuda Medicina e Filosofia. É médico da corte cordovesa até cair em desgraça (1195), e acaba desterrado para Lucena acusado de heresia. Reabilitado, morre pouco depois. Este pensador cordovês é, com Avicena, o principal filósofo do mundo árabe e um dos principais pensadores medievais. Diferentemente de outros pensadores muçulmanos, maioritariamente platónicos, Averróis é um aristotelista puro. Pela qualidade e pela amplitude da sua actividade como comentarista de Aristóteles é conhecido como «o Comentador». Escreveu diversas obras polémicas e médicas, mas são os seus comentários os que exercem uma influência decisiva no Ocidente para a adopção do aristotelismo. Escreve também um importante tratado médico (Generalidades).

Os averroístas aceitam, com Aristóteles, a concepção de Deus como motor imóvel que move eternamente um mundo eternamente existente não feito nem conhecido por ele. Esta tese da eternidade do mundo choca com as concepções cristãs. Postulam que a alma individual do homem é perecedora e corruptível; isto é, não é imortal. Finalmente, os averroístas defendem a teoria da dupla verdade: a teológica ou da fé e a filosófica ou da razão. Portanto, é verdade, de acordo com a fé, que a alma é imortal e o mundo é criado; mas também é verdade, de acordo com a razão, que a alma é corruptível e o mundo é eterno. Esta defesa desesperada da autonomia da razão perante a fé, que se opõe à tese augustiniana de que a verdade é única, é condenada e perseguida no Ocidente cristão pela autoridade eclesiástica.