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ANTERO DE QUENTAL
Poeta: 1842 - 1891
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QUANDO TUDO ACONTECEU... 1842: Em Ponta Delgada, a 18 de Abril, nasce Antero Tarquínio de Quental. A 2 de Maio é baptizado na Igreja Matriz de S. Sebastião de Ponta Delgada. - 1847: Começa a aprender francês com António Feliciano de Castilho que vive nessa altura na capital açoriana. - 1852: Em Agosto vem com sua mãe para Lisboa, matriculando-se no Colégio do Pórtico, do qual Castilho é director. - 1853: Antero regressa a Ponta Delgada onde em 7 de Julho de 1855 concluirá a Instrução Primária. Em 20 de Outubro desse mesmo ano volta a Lisboa onde frequenta o colégio Escola Académica. - 1856: Inscreve-se como aluno interno no Colégio de S. Bento, em Coimbra. Escreve os primeiros versos que lhe são conhecidos numa carta enviada a seu irmão André. - 1858: Após algum tempo de estudo em Lisboa, com a ajuda de seu tio paterno Filipe de Quental, lente de Medicina, conclui os estudos preparatórios para o ingresso na Universidade de Coimbra, onde se matricula no 1º ano de Direito em 28 de Setembro, sendo admitido a 2 de Outubro. - 1859: Em Abril é condenado pelo Conselho de Decanos a oito dias de prisão por, com outros estudantes, ter tomado parte num acto praxístico - armado de um cacete e com o rosto coberto, «dando grau a caloiros e cortando-lhes o cabelo». Em 24 de Maio é aprovado no acto do 1º ano de Direito. Em Setembro matricula-se no 2º ano de Direito. - 1860: Mora no Largo da Sé Velha, ficando também por vezes em casa de seu tio Filipe de Quental, na Travessa da Couraça. Em Janeiro publica nos Prelúdios Literários «Na Sentida Morte do Meu Condiscípulo Martinho José Raposo». Em Janeiro, Fevereiro, Novembro e Dezembro, também nos Prelúdios, publica «Leituras Populares». Em Março, com Alberto Sampaio, Alberto Teles e outros, dirige o jornal O Académico - Publicação Mensal, Científica e Literária. - 1861: Em Abril participa na fundação da Sociedade do Raio, uma sociedade secreta que se caracteriza por lançar desafios blasfemos a Deus durante a ocorrência de trovoadas. Em O Fósforo, publica um artigo sobre João de Deus: «A Propósito de um Poeta». Em Outubro matricula-se no 4º ano. - 1862: Em 21 de Outubro saúda, em nome da Academia, o príncipe Humberto de Sabóia. - 1863: Em 22 de Julho faz exame e passa para o 5º ano. - 1864: Em 2 de Julho conclui o curso de Direito. 1866: Em Janeiro tenta alistar-se no exército de Garibaldi. - 1867: Em 19 de Agosto embarca para Ponta Delgada. - 1868: Em 31 de Outubro regressa a Lisboa. 1869: Em Julho embarca para os Estados Unidos. - 1871: Em 22 de Maio as Conferências são inauguradas. - 1874: Adoece gravemente em Ponta Delgada. - 1876: Em Maio desloca-se a Ponta Delgada, regressando em Julho a Lisboa. - 1877: No início de Julho faz uma viagem a Paris, onde consulta o Dr. Charcot. - 1878: Entre Fevereiro e Junho hospeda-se em casa de Oliveira Martins, no Porto. - 1880: Em fins de Maio, numa carta a Alberto Sampaio inclui o soneto «Estoicismo». - 1882: Em Maio escreve os sonetos «Na Mão de Deus» e «Evolução». - 1883: Em Maio escreve o soneto «Voz Interior». - 1884: No Palácio de Cristal, no Porto, encontra-se com Eça de Queirós, Guerra Junqueiro, Oliveira Martins e Ramalho Ortigão. Tiram a fotografia do «grupo dos cinco». - 1885: Encontra-se Com Carolina Michaëlis. - 1886: Perto do fim do ano recebe a primeira carta de Wilhelm Storck com sonetos seus traduzidos para o alemão. - 1887: Em 8 de Maio desloca-se a Ponta Delgada. - 1888: Pensa candidatar-se a uma cadeira da projectada Escola Normal Superior. - 1889: Columbano pinta-lhe o retrato que se conserva no Museu do Chiado. - 1890: Em 11 de Janeiro - Ultimato inglês. - 1891: Jantar de despedida, oferecido pelos Vencidos da Vida no Tavares. Em 5 de Junho parte para Ponta Delgada. No dia 11 de Setembro compra um revólver e, às 20 horas, no lado norte do Campo de S. Francisco, suicida-se com dois tiros. |
DE TUDO, O PIOR MAL É TER NASCIDO |
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É
um dia húmido de Novembro. São Miguel está, como quase sempre, sob uma
espessa camada de nuvens. Azorian
torpor é como os ingleses chamam a esta atmosfera opressiva,
obsidiante, que não só atormenta o corpo como parece infiltrar-se e
assediar a mente. Na baixa de Ponta Delgada, ao lado da Tabacaria Açoriana,
fica a loja de quinquilharias de Benjamim Ferin. Antero entra na loja e
cumprimenta o empregado. Está calmo, tranquilo. Pergunta se tem revólveres
à venda. O empregado olha-o surpreendido. Antero, sorri: -
Sabe, vou morar para um local longe de vizinhança. Com os ratoneiros que
andam por aí, é bom estar prevenido. -
Sem dúvida, senhor doutor. É mais prudente estar prevenido. E
vai buscar as armas que tem para venda. Antero analisa-as uma a uma. Acaba
por optar por um revólver Lefaucheux. O empregado ensina-o a carregá-lo. -
Nunca peguei numa arma de fogo... O
homem dá-lhe mais algumas explicações. Quando vai a retirar as balas do
tambor, Antero diz-lhe: -
Não, não. Deixe-o assim, já pronto. O
homem obedece, mas avisa de que convém nunca esquecer que a arma está
carregada, pronta a disparar. Às vezes há acidentes... -
Esteja descansado. Vou ter todo o cuidado. Enquanto
embrulha o revólver com sucessivas camadas de papel, o empregado
pergunta: -
Ouvi contar que o senhor doutor ia para Lisboa? -
Pensei nisso, mas desisti, pois ultimamente tenho passado melhor. -
Ainda bem, senhor doutor. Ainda bem. Antero
tira da algibeira algumas libras que põe sobre o balcão: -
Faça o favor de se pagar. Eu nunca me habituei a fazer dedução de moeda
fraca. Antero
sai. Os homens que estão à porta, saúdam-no respeitosamente. Vai
a casa de seu primo, Augusto de Arruda Quental. Quando entra coloca o
embrulho sobre uma mesa e, por cima, põe o chapéu. Conversa
tranquilamente com o primo. Falam de banalidades. O tempo, a política,
coisas da família. Quando Antero se ergue para sair, o primo dá-lhe o
chapéu e faz depois menção de lhe entregar também o embrulho. Antero
quase grita: -
Não lhe pegues! Despedem-se. Metendo
pela Rua de S. Brás, encaminha-se a passos lentos para o Campo de São
Francisco, uma ampla praça pública de Ponta Delgada. Aí, senta-se num
banco, junto do muro do convento da Esperança.. Nesse muro, por cima do
banco, um dístico em pedra lavrada mostra a palavra esperança
sobreposta a uma âncora. Antero sorri. Esperança e uma âncora que o
segurem à vida, eis precisamente o que lhe falta. |
| A REVELAÇÃO DE UM MUNDO NOVO E SUPERIOR | |
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Nasci
nesta ilha de São Miguel descendente de uma das mais antigas famílias
dos seus colonizadores,
dirá Antero numa carta autobiográfica. Seu pai, Fernando de Quental foi
um dos 7500 liberais que, em 1832, desembarcaram no Mindelo, a norte do
Porto e contribuíram para implantar o regime constitucional. O avô
paterno, André da Ponte Quental da Câmara e Sousa, destacara-se também
pelas suas convicções liberais. Fora amigo de Bocage e com ele
partilhara o cárcere. Militara depois na guerrilha contra os invasores
franceses. Será, em 1822, signatário da Constituição, como deputado
por São Miguel. A mãe de Antero, Ana Guilhermina da Maia, deu-lhe uma
educação muito religiosa que irá contribuir para as suas reflexões místicas,
mesmo depois de abandonar a religião. Aliás, uma das suas primeiras emoções
intelectuais ocorre quando, em 1852, ouve ler a «Ode a Deus», de
Alexandre Herculano: Teria
os meus dez anos, quando pela primeira vez, a ouvi recitar a um bom padre,
que me ensinava rudimentos de gramática latina. Não ouso dizer que
tivesse entendido. E, no entanto, profunda foi a impressão que recebi,
como a revelação dum mundo novo e superior, a revelação do ideal
religioso. Escapava-me o sentido de muitos conceitos, a significação de
muitas palavras: mas, pelo tom geral de sublimidade, pela tensão
constante de um sentimento grande e simples, aqueles versos revolviam-me,
traziam-se lágrimas aos olhos, como se me introduzissem, embalado numa
onda de poderosa harmonia, na região das coisas transcendentes...[i] Em
1847 aprende francês com António Feliciano de Castilho, o poeta cego,
figura de proa do romantismo, que, entre esse ano e 1850, reside em Ponta
Delgada, provocando uma autêntica revolução cultural entre a sociedade
da cidade. L'Ami des Enfants, de Bergier, é o livro de leitura de Antero. Em
1849, compra A Felicidade pela
Agricultura, de Castilho, um dos primeiros livros da sua biblioteca.
Frequenta o Liceu Açoriano, uma escola particular. Em 1850, recebe lições
de inglês com Mr. Rendall. Em Agosto de 1852 vem para Lisboa com sua mãe
onde frequenta o Colégio do Pórtico, de que é director o seu já
conhecido Castilho. Mais tarde, escreverá ao seu velho mestre: V.Ex.a.
aturou-me em tempos no seu Colégio do Pórtico, tinha eu ainda dez anos,
e confesso que devo à sua muita paciência o pouco francês que ainda
hoje |
COIMBRA: A REVOLUÇÃO INTELECTUAL E MORAL |
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O
facto mais importante da minha vida durante aqueles anos, e provavelmente
o mais decisivo dela, foi a espécie de revolução intelectual e moral
que em mim se deu, ao sair, pobre criança arrancada ao viver quase
patriarcal de uma província remota e imersa no seu plácido sono histórico,
para o meio da irrespeitosa agitação intelectual de um centro, onde mais
ou menos vinham repercutir-se as encontradas correntes do espírito
moderno. Varrida num instante toda a minha educação católica e
tradicional, caí num estado de dúvida e incerteza, tanto mais pungentes
quanto, espírito naturalmente religioso, tinha nascido para crer
placidamente e obedecer sem esforço a uma regra reconhecida. Achei-me sem
direcção, estado terrível de espírito, partilhado mais ou menos por
quase todos os da minha geração, a primeira em Portugal que saiu
decididamente e conscientemente da velha estrada da tradição. Se a isto
se juntar a imaginação ardente, com que em excesso me dotara a natureza,
o acordar das paixões amorosas próprias da primeira mocidade, a turbulência
e a petulância, os fogachos e os abatimentos de um temperamento
meridional, muito boa fé e boa vontade, mas muita falta de paciência e método,
ficará feito o quadro das qualidades com que, aos dezoito anos penetrei
no grande mundo do pensamento e da poesia. Antero
não é um estudante brilhante, mas vai avançando no seu curso, que
terminará no ano lectivo de 1863-64.
Entretanto, irá conhecendo os irmãos José e Alberto Sampaio, António
de Azevedo, Germano Meireles, cuja amizade o acompanhará toda a vida. É
deste período que datam os poemas que irá reunir em Primaveras
Românticas, «Versos dos vinte anos», como lhes chamará em subtítulo: Somente
amor... Somente?! é pouco esta palavra? Em
Maio de 1862, recita no Teatro Académico, perante Castilho, as estrofes
«À História» com que iniciará a 1ª edição das Odes
Modernas. Castilho diz a Filipe de Quental, lente de Medicina e tio de
Antero: «Seu sobrinho é um poeta de génio». Finalmente,
em 2 de Julho de 1864, conclui a formatura: A
Fatalidade que me persegue com tenacidade verdadeiramente paternal, não
me quis poupar - não quis deixar sem coroa este templo de sandice e ridículo
chamado formatura; não lhe
tremeu a mão adunca e férrea escrevendo no livro-caixa do Fado esta
sibilina palavra BACHAREL!!! E sou Bacharel!!! E Bacharel nemine-discrepante!!
E não houve um R justiceiro, um R honesto e conscencioso que
protestasse, levantando no ar com terrível assovio, o seu rabo de
serpente, não houve R - um só - que protestasse contra essa sentença
fatal, que assim condena um inocente cábula a arrastar perpetuamente,
qual rocha de sísifo, essa grilheta de uma carta de Bacharel em Direito!!
Nemine-Discrepante!!! Sabeis
vós o que é um nemine
discrepante? É trocar a sua coroa de poeta, pelo círculo de sebo da borla
doutoral dum Neiva! É ler no horizonte da vida, em vez do poema de oiro
das aspirações embalsamadas, a letra gorda e enchundeada duma sempiterna
Sebenal!! É escambar (!) a púrpura
brilhante das aspirações sublimes, pela albarda, vermelha da vermelhidão
das digestões felizes, o capelo de Doutor! É ter por alma um sofisma,
por vida um à-contrário-sensu, por templo santo a audiência, por culto
a Deus e tudo a Ordenação do Reino!! Este trecho duma meditação que
actualmente componho em estilo Oriente, e em que trabalho debaixo da
salutar influência da sombra do Neiva, vos dará ideia do estado moral do
vosso
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A "QUESTÃO COIMBRÃ" |
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Antero, o Bom Senso e o Bom
Gosto, veemência... Entretanto, o que está a acontecer no resto do
mundo? Consulta a Tábua Cronológica.
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Em
1865, depois de uma viagem a São Miguel, Antero regressa a Coimbra. Em
Setembro desse ano, Castilho escreve ao editor António Maria Pereira uma
carta, que será publicada como posfácio do Poema
da Mocidade, de Pinheiro Chagas.
Nela, o velho poeta discute poemas de Antero de Quental, Teófilo
Braga e Vieira de Castro, ironizando particularmente sobre as Odes
Modernas e sobre dois poemas de Epopeia
da Humanidade, de Teófilo Braga. Antero resolve descer à liça e
contestar ao seu velho mestre o direito de se arvorar em árbitro das
letras nacionais - faz publicar uma carta-aberta
a Castilho, Bom-senso e
Bom-gosto, onde, exaltadamente, se insurge contra o desdém de
Castilho relativamente à nova geração de poetas. E desencadeia-se a que
é talvez a mais famosa polémica literária portuguesa, conhecida por Questão
Coimbrã ou Questão do Bom
Senso e Bom Gosto: A famosa Questão Literária ou Questão de Coimbra,
que durante mais de seis meses agitou o nosso pequeno mundo literário e
foi o ponto de partida da actual evolução da literatura portuguesa. Os novos
datam todos de então. O Hegelianismo dos coimbrões fez explosão. O
velho Castilho, o Arcade póstumo, como então lhe chamara, viu a geração
nova insurgir-se contra a sua chefatura anacrónica. Houve em tudo isto
muita irreverência e muito excesso, mas é certo que Castilho, artista
primoroso mas totalmente destituído de ideia, não podia presidir, como
pretendia, a uma geração ardente que surgia, e antes de tudo aspirava a
uma nova direcção, a orientar-se como depois se disse, nas correntes do
espírito da época. Havia na mocidade uma grande fermentação
intelectual, confusa, desordenada, mas fecunda. Castilho, que a não
compreendia, julgou poder suprimi-la com processos de velho pedagogo. [iv] Em
Dezembro, Antero publica ainda um folheto sobre o mesmo tema, A Dignidade das Letras e as Literaturas Oficiais, texto
doutrinariamente mais denso do que a carta, e no qual responsabiliza a
literatura pelo destino do povo português. É
neste conturbado período que pensa alistar-se no exército de Garibaldi.
Desafia o seu amigo António de Azevedo Castelo-Branco: Tens
naturalmente lido os jornais. Sabes do que vai por Itália e dos
alistamentos de voluntários Garibaldinos. Creio ser para nós uma boa
ocasião de sairmos do absurdo sopa-vaca e arroz da vida ordinária. Queres ir? Un bel morir tutta la vita onora... [v] No
início de 1866, Ramalho Ortigão sai em defesa de Castilho com o folheto A
Literatura de Hoje. Acusa Antero de cobardia, pois este invocara como
argumentos a velhice e a cegueira do poeta: O
caso era cómico e não trágico. Ramalho Ortigão escreveu insolências
bastante indignas a meu respeito num folheto a propósito da sempiterna
questão Castilho. Eu vim ao Porto para lhe dar porrada. Encontrei, porém,
o Camilo o qual me disse que adivinhava o motivo da viagem e que antes das
vias de facto, ele iria falar com o homem para ele dar satisfação.
Aceitei. A explicação, porém, do dito homem pareceu-me insuficiente e
dispunha-me a correr as eventualidades da bofetada quando me veio dizer o
Camilo que o homem se louvava em C.J.Vieira e Antero Albano com plenos
poderes de decidir a coisa e que fizesse eu o mesmo em dois amigos meus;
na certeza de que uns e outros seriam considerados padrinhos de um duelo (!)
no caso de se não entenderem a bem... Que can-can!
[vi]
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DESASSOSSEGO |
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No
mês seguinte, em 15 de Março, embarca no vapor Leal para São Miguel.
Está inquieto: Estou efectivamente
desassossegado e muito; mas como não estar? Cada vez mais o falso da
minha posição nesta terra lusitana. Não me entendo com os homens e com
as coisas; apenas com o céu e com os montes, mas isto não é suficiente.
[viii]
Para onde irei? Ignoro; talvez daqui
até lá, indague dum emprego para a Índia, para Goa ou Macau, países
onde a vida moderna não deve ostentar-se em muito excessivo luxo de seu
vermelho sangue burguês e gordura de banalidade, como acontece nesta
Europa soesmente comodista, esta Cartago sem Moloch - mas com muitos
mercenários. [ix]
Tenho pena de não ter achado aqui o
silêncio e a despreocupação que esperava e ansiava... Se eu tivesse
achado um ermitério de S. Columbano, uma ilha - no mar - ah! mas bem no
mar! Assim o julguei e desejo ainda. [x] Em
1 de Junho regressa a Lisboa. Vai residir na Travessa de Santo António,
à Alegria. Nesse Verão, resolve ir trabalhar como tipógrafo para a
Imprensa Nacional: Há oito dias que
entrei para a Imprensa Nacional e como me sinto cada vez mais resolvido a
continuar neste caminho (que, quando não tivesse mais razões por si,
tinha esta triunfante de ser único).[xi] Mas,
afinal, havia outros caminhos. Antero resolve ir fazer uma «experiência
proletária» em Paris. A experiência esgota-se em Janeiro e Fevereiro de
1867. Matricula-se no Colégio de França. Mas em breve se satura de
Paris: Se pudesse saía amanhã mesmo de Paris. Que me importa a Exposição?
Assistir às grandes loucuras do século, faz bem a alguém, enche a vida?
Não! Antes de ontem saí no meio de um curso no Colégio de França. [xii]
O
seu estado de saúde obriga-o a vir a Portugal descansar durante três
meses. No final da Primavera volta a Paris. Visita Michelet a quem oferece
um exemplar das Odes Modernas. Regressa
a Portugal e, em 14 de Agosto, embarca no lugre Gil para Ponta Delgada. Na
Primavera acalenta mais um projecto guerreiro: A vida activa também me seduz a mim, e muito. É mesmo nesse sentido
que pude formar o único plano resistente e que dura há meses já. Por
ser extravagante nem por isso deixa de ser óptimo. É ir assentar praça
de voluntário nos Zuavos Pontifícios, em Roma. (...) Que humorismo
profundo em todos os contrastes de uma tal vida! Ateus a manterem guarda
ao Vaticano! Socialistas a defenderem o poder temporal do Papa! [xiii] Permanece
em São Miguel até Outubro. Quando regressa a Lisboa, triunfa em Espanha
a revolução. É contactado por revolucionários espanhóis que o aliciam
para a causa do iberismo. Projecta ir trabalhar num jornal em Madrid. Em
Novembro publica: Portugal Perante a
Revolução de Espanha - Considerações sobre o Futuro da Política
Portuguesa no Ponto de Vista da Democracia Ibérica.
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| SE EM PORTUGAL HOUVESSE OITO OU DEZ OLIVEIRA MARTINS... | |
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Em
Novembro de 1869, na Travessa do Guarda-Mor, em Lisboa, constitui-se o Cenáculo,
grupo de intelectuais de que fazem parte, além de Antero, Eça de Queirós,
Ramalho Ortigão, Anselmo de Andrade, Carlos Mayer, João de Deus, Manuel
de Arriaga, Salomão Saragga, Santos Valente, Alberto Teles, Lobo de
Moura, Augusto Fuschini, Mariano e Francisco Machado de Faria e Maia, António
e Augusto Machado, José Tedeschi, etc. Está agora a residir em S. Pedro
de Alcântara. Uma paixão amorosa frustrada, leva-o a procurar fora da
capital alguma tranquilidade. É numa das suas deambulações que visita,
em Outubro, Oliveira Martins, que está como engenheiro de minas em Santa
Eufemia, em Espanha. O encontro com o autor de História
da Civilização Ibérica, provoca-lhe uma profunda impressão: Se
Portugal de hoje, assim como produziu um homem daqueles, tivesse produzido
oito ou dez, ainda se salvava. Verdade é que, se Portugal, nesta geração,
tivesse tido forças para produzir oito ou dez homens como Oliveira
Martins, não precisava de quem o salvasse, porque esse facto só por si
era o indício da força e fecundidade de espírito nacional, da sua
vitalidade e saúde perfeita.[xiv]
Estuda
alemão até conseguir ler na língua original Goethe, Heine e outros
autores germânicos: Traduzo o Fausto de Goethe, do alemão para versos portugueses, coisa que muito me
distrai.[xv]
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| AS CONFERÊNCIAS DO CASINO | |
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Em
1871, a 22 de Maio, são abertas as Conferências do Casino, que o grupo
do Cenáculo, orientado por Antero, promovem. Anima-as um substracto
republicano, iberista, realista, proudhoniano.
Realizam-se no Casino Lisbonense e Antero pronuncia a conferência
e uma outra, no dia 27: Causas da Decadência dos Povos Peninsulares nos Últimos Três Séculos.
Eça de Queirós desenvolve o tema O
Realismo como Nova Expressão de Arte. Salomão Sáragga, especialista
em hebraísmo, quando se preparava para proferir a sua lição sobre Os Historiadores Críticos de Jesus, o governo manda, em 26 de
Junho, encerrar as Conferências, alegando que constituem uma ofensa à
religião e às instituições do Estado. Os protestos irrompem de
diversos sectores. Antero escreve e publica, em 30 de Junho, ao presidente
do Conselho de Ministros: A Portaria
com que V.Ex.a. mandou fechar a sala das Conferências Democráticas, é
um acto não só contrário à lei e ao espírito da época, mas sobretudo
atentório da liberdade do pensamento, da liberdade da palavra, e da
palavra de reunião, isto é, daqueles sagrados direitos sem os quais não
há sociedade humana, verdadeira sociedade humana, no sentido ideal,
justo, eterno da palavra. Pode haver sem eles aglomeração de corpos
inertes: não há associação de consciências livres. Ex.mo. Sr.: nem eu
nem V.Ex.a. passaremos à história: e muito menos as ineptas portarias
que V.Ex.a. faz assinar a um rei sonâmbulo. Mas supondo por um momento
que alguma destas coisas possa passar ao século XX, folgo de deixar aos
vindouros com este escrito a certeza duma coisa: que em 1871 houve em
Portugal um ministro que fez uma acção má e tola, e um homem que teve a
franqueza caridosa de lho dizer. [xvi] Inclusivamente,
Alexandre Herculano, liberal católico, com a sua inquestionável
autoridade, vem associar-se aos protestos. O governo cai. Em
Fevereiro de 1872, publica Primaveras
Românticas: As Primaveras Românticas contêm
os meus Juvenilia, as poesias de
amor e fantasia, compostas na sua quase totalidade, entre 1860 e 65, que
andavam dispersas por várias publicações periódicas e que só em 72
reuni em volume juntamente com mais alguma coisa do mesmo carácter e
estilo. Mora agora na Rua dos Douradores.
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A bela luz da vida, ampla infinita, só vê com tédio, em tudo quanto fita, a ilusão e o vazio universais |
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Faz
diversas viagens aos Açores. Em Julho vai a Angra do Heroísmo para
consultar um médico homeopata. Em Setembro regressa a Lisboa e consulta
dois médicos: Sousa Martins e Curry Cabral. Diz numa carta a um amigo: Em
1874 adoeci gravissimamente, com uma doença nervosa de que nunca mais
pude restabelecer-me completamente. A forçada inacção, a perspectiva da
morte vizinha, a ruína de muitos projectos ambiciosos e uma certa
acuidade de sentimentos, própria da nevrose, puseram-me novamente e mais
imperiosamente do que nunca, em face do grande problema da existência. A
minha antiga vida pareceu-me vã e a existência em geral incompreensível. No
entanto, vai trabalhando nos seus sonetos. Em Maio de 1875, publica a 2ª
edição de Odes Modernas, com
algumas composições inéditas. Em 1876, toma contacto com a filosofia
pessimista do inconsciente panteísta de Karl-Robert-Eduard von Hartmann,
que muito o irá influenciar. Depois de aspirar ao Nirvana budista,
procura uma consolação através da filosofia estóica: Abençoada
doença se fizer de mim o homem impassível dos Estóicos, o santo de
Marco Aurélio. Não digo isto brincando, e para mim, o livro das Máximas de Epicteto é um dos livros mais sérios que têm sido escritos. (...)
A Fé não é só património do cristão; há também a Fé da Filosofia
idealista, que pelos menos é tão boa. [xviii] Em
28 de Novembro, sua mãe morre: Acabo
de receber um dos maiores golpes que podia receber. Morreu minha Mãe. V.
sabe o que é ser filósofo, mas sabe também o que é ser filho. Diga-me
duas palavras das suas, fortes e boas. Eu sei o que há a dizer a mim
mesmo, mas far-me-á bem que mo diga V. Eu estou muito sereno e conformado
e aplicando à minha situação os dogmas da nossa comum religião. Mas
isto não impede que esteja triste. [xix] Em
1877, vai a Paris consultar Charcot e tenta uma cura hidroterápica em
Bellevue. Aqui, apaixona-se por uma aristocrata francesa. O fracasso
amoroso quase o leva ao suicídio. No ano seguinte tenta uma nova cura em
Bellevue, mas sem sucesso. Em Fevereiro de 1878, envia a Batalha Reis o
seu soneto «Nirvana», que dedicará a Guerra Junqueiro: Para
além do Universo luminoso Em
1878 é convidado a candidatar-se como deputado republicano socialista
pelo círculo de Alcântara. Recusa: Saberás
que vim encontrar aqui a minha candidatura pelo círculo de Alcântara,
lançada por uns centros republicanos que não sei bem o que são. Hoje
vieram uns oficiosos falar-me nisso: declarei recusar tal candidatura e
ameacei-os com uma recusa pública nos jornais se insistirem. Eis o que é
a popularidade! Estou mais do que farto de representar este ridículo
papel de mito e il faut que ça finisse. [xx] A doença não o abandona. Volta a consultar Sousa Martins: Eu vou indo, não já tão bem como quando cheguei, mas não inteiramente mal. O Sousa Martins ouviu-me, apalpou-me e concluiu que nada podia concluir e que isto lhe parecia mais complicado do que julgara a princípio. [xxi]
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| O CENTENÁRIO DE CAMÕES | |
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"O nosso Antero ressurgiu para a vida activa através da filosofia" - diz Eça de Queirós. Entretanto, o que está a acontecer no resto do mundo? Consulta a Tábua Cronológica.
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Em
1880 instala-se em Lisboa e adopta as duas filhas do seu amigo íntimo,
Germano Meireles, que falecera em Dezembro de 1877. Albertina e Beatriz e
a mãe passam a viver com Antero. Instala-se na Calçada de Santa Ana: Fui tão feliz que ontem mesmo achei casa que me convém e a aluguei. É
aqui mesmo ao lado da minha irmã, um 3º andar claro e bem arejado. Agora
vou tratar de o montar, como
aqui se diz, o que ainda levará algum tempo, porque eu faço tudo
lentamente e tenho de comprar, a bem dizer, tudo.[xxii] Preparam-se
as comemorações do 3º Centenário
da morte de Camões. Antero escreve um violento artigo contra o
aproveitamento político da efeméride («Centenários e Centenaristas»).
Depois destrói-o. Mas, em cartas, comenta: Esquecia-me
dizer-lhe que a grande comissão dos literatos, depois de grave meditar,
resolveu celebrar o centenário com uma procissão! Isto é curioso, até
no ponto de vista biológico, porque mostra o poder do atavismo. Aos netos
dos frades que lhes há-de lembrar senão procissões? A ideia, dizem,
partiu do Ramalho, que a apresentou naturalmente como toda moderna e
positiva. Notável caso de «regressão morfológica!» O Ramalho,
cuidando ir adiante do século, reproduz simplesmente o avô, que era da
Ordem dos Terceiros! [xxiii] A
burguesia portuguesa pode por ostentação, levantar uma estátua a Luís
de Camões, mas o povo português, esse não sabe soletrar o título do
poema que o poeta consagrou às suas glórias .[xxiv] No
primeiro trimestre de 1881, publica-se no Porto uma colectânea com 28
sonetos de Antero, coligidos por Joaquim de Araújo: A
edição dos Sonetos pareceu-nos
muito bem e o melhor possível. Elegante e fina sem pretensão. Digo nós,
porque esta foi também a opinião do João a quem mandei um exemplar. [xxv] Em
Setembro desse ano vai, com as suas pupilas, viver para Vila do Conde: Fixei
actualmente a minha residência em Vila do Conde, terrazinha antiga, plácida
e campestre, muito ao sabor dos meus humores de solitário. Vivo aqui como
um verdadeiro ermita. [xxvi] Eu
aqui consigo fazer uma coisa rara, prodigiosa: dormir. Faço-o como se
fosse a coisa mais natural deste mundo! Veja se não hei-de considerar
esta terra, além de maravilhosa, salvadora. [xxvii] «Chegando
ao Porto», diz Eça de Queirós, «e correndo com Oliveira Martins a Vila
do Conde, avistei na estação um Antero gordo, róseo, reflorido, com as
lapelas do casaco de alpaca atiradas para trás galhardamente, e meneando
na mão a grossa bengala da Índia que em Lisboa eu lhe dera para amparar
a tristeza e a fadiga.» [xxviii] Aliás,
os quase dez anos que Antero irá viver em Vila do Conde, com pequenos
intervalos nos Açores e em Lisboa, serão talvez os mais plácidos ou, se
se preferir, os menos atormentados da sua vida: Aqui
as praias são amplas e belas, e por elas me passeio ou me estendo ao sol
com a voluptuosidade que só conhecem os poetas e os lagartos adoradores
da Em
Agosto de 1882, escreve a sua irmã: Vai
vagar a Comarca da Póvoa do Varzim, e o Lobo de Moura pretende ser para
ali transferido. Imagina como vai ser bom para mim ficarmos assim
vizinhos. Com o Lobo de Moura na Póvoa, o Oliveira Martins no Porto e o
Alberto Sampaio em Famalicão, fico literalmente rodeado de amigos. [xxx] Em
1884, confidencia a Joaquim de Araújo: A
minha vida ocorre sem incidentes, quer internos, quer externos. Tenho
envelhecido voluntariamente, o que é uma grande coisa. V. fala-me de
desilusões. Doa-se, como é natural, mas não as maldiga. As desilusões
são a sabedoria que vem ter connosco disfarçada em carrasco. Mais tarde
é que se conhece isso. [xxxi] Em
1885, apoia a adesão de Oliveira Martins ao Partido Progressista (monárquico).
Em Março escreve os seus dois últimos sonetos, «Com a Morte» e «O Que
Diz a Morte». Em
meados do ano, a mãe das suas protegidas morre, e Antero interna-as no
Colégio das Doroteias, no Porto. Em
1886 são publicados os Sonetos
Completos, coligidos e prefaciados por Oliveira Martins. Antero evolui
agora de mais uma fase pessimista para um misticismo
que explica no folheto «A Filosofia
da Natureza» dos Naturalistas: Entro agora numa fase nova, e tenho jurado
consagrar-me daqui em diante, todo e exclusivamente, ao trabalho de
coordenação definitiva das minhas ideias filosóficas e, se tanto puder,
à exposição metódica e rigorosa das mesmas. [xxxii] Em
Março de 1887, vai novamente aos Açores: Tive
um certo prazer em tornar a ver a minha terra, ainda que não sei porquê,
e talvez só por instinto, pois deve haver uma relação profunda entre o
homem e a terra em que nasceu e se criou. [xxxiii] (...) Tem-me
agradado esta terra e foi até com certo prazer que ontem me achei a
passear no campo de S. Francisco. [xxxiv]
É durante esta breve estada que tira, no fotógrafo Raposo, da Rua da
Esperança, em Ponta Delgada a sua fotografia preferida: Aí
te envio um exemplar da única boa fotografia que tenho... Preferiria não
andar gravado nos papéis. Mas, uma vez que já não o posso evitar, aí
vai ao menos uma efígie autêntica. [xxxv]
Em Outubro regressa a Vila do Conde. É publicada a tradução alemã
dos Sonetos. Em
1889, Columbano Bordalo Pinheiro pinta-lhe o retrato que faz parte da
colecção do Museu do Chiado. Diz Columbano: «...Estou a vê-lo com os
seus olhos muito azuis e as barbas loiras. Vestia bem, sem afectação e
sobriamente... Era calmo, delicado, afável, nenhuma tragédia
transparecia na sua maneira quase alegre». Diz Antero: Está
muito bem como pintura, mas idealizado, como todas as composições desse
pintor neo-vellazquiano, no sentido do fantástico e do tenebroso. [xxxvi] Começa
a escrever o texto filosófico destinado à Revista
de Portugal, dirigida por Eça de Queirós: Para
mostrar o meu afecto ao nosso Queirós, comecei a escrever com destino à Revista,
um artigo sobre as tendências
gerais da filosofia na actualidade, coisa sumária; mas o assunto
apossou-se de mim, passou a ser quase outra coisa o trabalho, e no fim de
três meses acho-me tendo produzido um estudo, que na Revista
dará três ou quatro artigos, e que depois, ampliado, será um livro. [xxxvii]
Sobre o assunto, diz Eça de Queirós: «Como sabes, o nosso Antero
ressurgiu para a vida activa, através da filosofia. Temos dele um
primeiro artigo neste número da Revista
- que sairá, não sei quando, mas ainda neste século. É extraordinário.
Está todo o original na imprensa desde o fim do mês passado!» [xxxviii] Em
1890, em face da violenta reacção nacional ao humilhante Ultimato inglês
de 11 de Janeiro, Antero aceita a presidência da Liga Patriótica do
Norte, com existência efémera: Declamar
contra a Inglaterra é fácil, emendarmos os gravíssimos defeitos da
nossa vida nacional será mais difícil, mas só essa desforra será
honrosa, só ela salvadora. Portugal ou se reformará política,
intelectual e moralmente ou deixará de existir. Mas a reforma, para ser
fecunda, deve partir de dentro e do mais fundo do nosso ser colectivo:
deve ser antes de tudo, uma reforma dos sentimentos e dos costumes. [xxxix] Em
princípios de Maio de 1891, deixa Vila do Conde e vem instalar-se na casa
de sua irmã Ana de Quental, em Lisboa. Os Vencidos da Vida oferecem-lhe
um jantar de despedida no restaurante Tavares. A 5 de Junho, no vapor Açor,
parte para Ponta Delgada, hospedando-se no Hotel Brown, alugando depois
uma casa no lugar de S. Gonçalo, nos arredores de Ponta Delgada: Encontrei
mais cedo do que supunha casa que me convém, estou-a arranjando e espero
dentro de um mês ter tudo pronto para receber a minha gentinha. Minha irmã,
a quem receitam ares pátrios, acompanha as pequenas e passará aqui dois
ou três meses. É pois, como vê, oiro sobre azul. [xl] Mas
no fim de Agosto já diz: Começo a
acreditar que não andei bem avisado em vir estabelecer-me em São Miguel.
[xli] É
que a sua antiga doença tem vindo a agravar-se. Para piorar as coisas,
tem uma desinteligência com sua irmã por causa das pupilas. No auge da
discussão com Ana de Quental, Antero exclama: Isto
ainda acaba com uma corda na garganta ou uma bala na cabeça! No dia
10 de Novembro vai entregar as duas jovens a uma família a quem confia a
sua educação. As despedidas deixam-no vivamente emocionado, transtornado
mesmo.
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| DESCANSA-SE!... SE NO TÉDIO DOLOROSO DE NÓS MESMOS ENCONTRAMOS A FORÇA PARA NOS SUMIRMOS | |
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Ao
som de dois tiros, acorrem militares do quartel de Caçadores 11. Caído
de lado sobre o banco, com o rosto ensanguentado Antero agoniza. O Dr.
Jacinto Júlio de Sousa, cirurgião-mor do regimento e o Dr. Mont'Alverne
de Sequeira, reputado médico da cidade, chegam logo após. No hospital,
situado ali mesmo na praça, tentam tudo para o salvar, mas após uma hora
de horrorosa agonia que finaliza pelo derramamento cerebral, Antero morre.
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| O QUE DIZ A MORTE | |
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«Deixai-os
vir a mim, os que lidaram; Em
mim, os Sofrimentos que não saram, Assim a Morte diz. Verbo velado, _______________ [i] Prefácio ao Tesouro Poético da Infância. [ii]
Bom-senso e Bom-gosto, 1865, Carta ao Excelentíssimo Senhor
António Feliciano de Castilho. [iii] Carta a José e Alberto Sampaio, 1863. [iv] Carta autobiográfica de Antero. [v] Carta a António de Azevedo Castelo-Branco, Dezembro de 1865. [vi] Carta a António de Azevedo Castelo-Branco, Janeiro de 1866. [vii] Camilo Castelo Branco, in A Doida do Candal. [viii] Carta a António de Azevedo Castelo-Branco, Fevereiro de 1866. [ix] Carta a António de Azevedo Castelo-Branco, 13 de Março de 1866. [x] Carta a Germano Meireles, maio de 1866. [xi] Carta a António de Azevedo Castelo-Branco, Junho de 1866. [xii] Carta a Alberto Sampaio, finais de Dezembro de 1866. [xiii] Carta a Alberto Sampaio, Ponta Delgada, Verão de 1868. [xiv] Carta a Carlos Cirino Machado, 15 de Dezembro de 1881. [xv] Carta a Francisco Machado de Faria e Maia, princípios de 1871. [xvi] Carta ao Marquês de Ávila e Bolama. [xvii] Carta Oliveira Martins, inícios de 1873. [xviii] Carta a Germano Meireles, finais de 1875. [xix] Carta a Oliveira Martins, 28 de Novembro de 1876. [xx] Carta a Alberto Sampaio, 10 de Outubro de 1878. [xxi] Carta a Oliveira Martins, 17 de Outubro de 1878. [xxii] Carta a Alberto Sampaio, Dezembro de 1879. [xxiii] Carta a Oliveira Martins, Primavera de 1880. [xxiv] in Portugal Perante a Revolução de Espanha, 1868. [xxv] Carta a Joaquim de Araújo, 1881. [xxvi] Carta a João Machado de Faria e Maia, Janeiro de 1882. [xxvii] Carta a Jaime Batalha reis, finais de 1881. [xxviii] Eça de Queirós, in Um Génio que era um Santo. [xxix] Carta a João de Deus, 13 de Janeiro de 1882. [xxx] Carta a Ana de Quental, 3 de Agosto de 1882. [xxxi] Carta a Joaquim de Araújo, 11 de Outubro de 1884. [xxxii] Carta a Carolina Michaëlis, 7 de Junho de 1886. [xxxiii] Carta a Oliveira Martins, 15 de Março de 1887. [xxxiv] Carta a Ana de Quental, 12 de Março de 1887. [xxxv] Carta a Alberto Teles, Maio de 1890. [xxxvi] Carta a Alberto Bessa, 8 de Maio de 1890. [xxxvii] Carta a Oliveira Martins, finais de 1889. [xxxviii] Carta de Eça de Queirós a Oliveira Martins, 28 de Janeiro de 1890. [xxxix] in «Expiação», A Província, 26 de Janeiro de 1890. [xl] Carta a Gustavo Barbosa, 30 de Junho de 1891. [xli] Carta a Joaquim de Araújo, 30 de Agosto de 1891.
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